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Mural
De: Victor Hugo
Para: Todos
E-mail: vhgdebem@gmail.com
Data: 02/05/16 09:51

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

222. Não é novo, dizem alguns, a ideia da
reencarnação; ressuscitaram-no da doutrina de
Pitágoras. Nunca dissemos ser de invenção
moderna a Doutrina Espírita.

Constituindo uma lei da Natureza, o Espiritismo
há de ter existido desde a origem dos tempos e
sempre nos esforçamos por demonstrar que dele
se descobrem sinais na antiguidade mais remota.
Pitágoras, como se sabe, não foi o autor do
sistema da metempsicose; ele o colheu dos
filósofos indianos e dos egípcios, que o tinham
desde tempos imemoriais. A ideia da
transmigração das almas formava, pois, uma
crença vulgar, aceita pelos homens mais
eminentes. De que modo a adquiriram? Por uma
revelação, ou por intuição?

Ignoramo-lo Seja, porém, como for, o que não
padece dúvida é que uma ideia não atravessa
séculos e séculos, nem consegue impor-se a
inteligências de escol, se não contiver algo de
sério. Assim, a ancianidade desta doutrina, em
vez de ser uma objeção, seria prova a seu favor.
Contudo, entre a metempsicose dos antigos e a
moderna doutrina da reencarnação, há, como
também se sabe, profunda diferença, assinalada
pelo fato de os Espíritos rejeitarem, de maneira
absoluta, a transmigração da alma do homem
para os animais e reciprocamente.

Portanto, ensinando o dogma da pluralidade das
existências corporais, os Espíritos renovam uma
doutrina que teve origem nas primeiras idades
do mundo e que se conservou no íntimo de
muitas pessoas, até aos nossos dias.
Simplesmente, eles a apresentam de um ponto
de vista mais racional, mais acorde com as leis
progressivas da Natureza e mais de
conformidade com a sabedoria do Criador,
despindo-a de todos os acessórios da
superstição. Circunstância digna de nota é que
não só neste livro os Espíritos a ensinaram no
decurso dos últimos tempos: já antes da sua
publicação, numerosas comunicações da mesma
natureza se obtiveram em vários países,
multiplicando-se depois, consideravelmente.
Talvez fosse aqui o caso de examinarmos por
que os Espíritos não parecem todos de acordo
sobre esta questão. Mais tarde, porém,
voltaremos a este assunto.

Examinaremos de outro ponto de vista a matéria
e, abstraindo de qualquer intervenção dos
Espíritos, deixemo-los de lado, por enquanto,.
Suponhamos que esta teoria nada tenha que ver
com eles; suponhamos mesmo que jamais se
haja cogitado de Espíritos.

Coloquemo-nos, momentaneamente, num
terreno neutro, admitindo o mesmo grau de
probabilidade para ambas as hipóteses, isto é, a
da pluralidade e a da unicidade das existências
corpóreas, e vejamos para que lado a razão e o
nosso próprio interesse nos farão pender.

Muitos repelem a ideia da reencarnação pelo só
motivo de ela não lhes convir. Dizem que uma
existência já lhes chega de sobra e que,
portanto, não desejariam recomeçar outra
semelhante. De alguns sabemos que saltam em
fúria só com o pensarem que tenham de voltar à
Terra. Perguntar-lhes-emos apenas se imaginam
que Deus lhes pediu o parecer, ou consultou os
gostos, para regular o Universo. Uma de duas: ou
a reencarnação existe, ou não existe; se existe,
nada importa que os contrarie; terão que a
sofrer, sem que para isso lhes peça Deus
permissão. Afiguram-se-nos os que assim falam
um doente a dizer: Sofri hoje bastante, não
quero sofrer mais amanhã. Qualquer que seja o
seu mau-humor, não terá por isso que sofrer
menos no dia seguinte, nem nos que se
sucederem, até que se ache curado.
Conseguintemente, se os que de tal maneira se
externam tiverem que viver de novo,

corporalmente, tornarão a viver, reencarnarão.
Nada lhes adiantará rebelarem-se, quais crianças
que não querem ir para o colégio, ou
condenados, para a prisão. Passarão pelo que
têm de passar.

São demasiado pueris semelhantes objeções,
para merecerem mais seriamente examinadas.

Diremos, todavia, aos que as formulam que se
tranquilizem, que a Doutrina Espírita, no tocante
à reencarnação, não é tão terrível como a julgam;
que, se a houvessem estudado a fundo, não se
mostrariam tão aterrorizados; saberiam que
deles dependem as condições da nova existência,
que será feliz ou desgraçada, conforme ao que
tiverem feito neste mundo; que desde agora
poderão elevar-se tão alto que a recaída no
lodaçal não lhes seja mais de temer.

Suponhamos dirigir-nos a pessoas que acreditam
num futuro depois da morte e não aos que criam
para si a perspectiva do nada, ou pretendem que
suas almas se vão afogar num todo universal,
onde perdem a individualidade, como os pingos
da chuva no oceano, o que vem a dar quase no
mesmo. Ora, pois: se credes num futuro
qualquer, certo não admitis que ele seja idêntico
para todos, porquanto de outro modo, qual a
utilidade do bem? Por que haveria o homem de
constranger-se? Por que deixaria de satisfazer a
todas as suas paixões, a todos os seus desejos,
embora a custa de outrem, uma vez que por isso
não ficaria sendo melhor, nem pior? Credes, ao
contrário, que esse futuro será mais ou menos
ditoso ou inditoso, conforme ao que houverdes
feito durante a vida e então desejais que seja tão
afortunado quanto possível, visto que há de
durar pela eternidade, não? Mas, porventura,
teríeis a pretensão de ser dos homens mais
perfeitos que hajam existido na Terra e, pois,
com direito a alcançardes de um salto a suprema
felicidade dos eleitos? Não. Admitis então que há
homens de valor maior do que o vosso e com
direito a um lugar melhor, sem daí resultar que
vos conteis entre os réprobos. Pois bem!
Colocai-vos mentalmente, por um instante,
nessa situação intermédia, que será a vossa,
como acabastes de reconhecer, e imaginai que
alguém vos venha dizer: Sofreis; não sois tão
felizes quanto poderíeis ser, ao passo que diante
de vós estão seres que gozam de completa
ventura. Quereis mudar na deles a vossa posição?
- Certamente, respondereis; que devemos fazer?
- Quase nada: recomeçar o trabalho mal
executado e executá-lo melhor. - Hesitaríeis em
aceitar, ainda que a poder de muitas existências
de provações? Façamos outra comparação mais
prosaica. Figuremos que a um homem que, sem
ter deixado a miséria extrema, sofre, no entanto,
privações, por escassez de recursos, viessem
dizer: Aqui está uma riqueza imensa de que
podes gozar; para isto só é necessário que
trabalhes arduamente durante um minuto.

Fosse ele o mais preguiçoso da Terra, que sem
hesitar diria: Trabalhemos um minuto, dois
minutos, uma hora, um dia, se for preciso. Que
importa isso, desde que me leve a acabar os
meus dias na fartura? Ora, que é a duração da
vida corpórea, em confronto com a eternidade?
Menos que um minuto, menos que um segundo.

Temos visto algumas pessoas raciocinarem deste
modo: Não é possível que Deus, soberanamente
bom como é, imponha ao homem a obrigação de
recomeçar uma série de misérias e tribulações.
Acharão, porventura, essas pessoas que há mais
bondade em condenar Deus o homem a sofrer
perpetuamente, por motivo de alguns momentos
de erro, do que em lhe facultar meios de reparar
suas faltas? “Dois industriais contrataram dois
operários, cada um dois quais podia aspirar a se
tornar sócio do respectivo patrão.

Aconteceu que esses dois operários certa vez
empregaram muito mal o seu dia, merecendo
ambos ser despedidos. Um dos industriais, não
obstante as súplicas do seu, o mandou embora e
o pobre operário, não tendo achado mais
trabalho, acabou por morrer na miséria.

O outro disse ao seu: Perdeste um dia; deves-me
por isso uma compensação. Executaste mal o teu
trabalho; ficaste a me dever uma reparação.
Consinto que o recomeces. Trata de executá-lo
bem, que te conservarei ao meu serviço e
poderás continuar aspirando à posição superior
que te prometi.” Será preciso perguntemos qual
dos industriais foi mais humano?

Dar-se-á que Deus, que é a clemência mesma,
seja mais inexorável do que um homem?

Alguma coisa de pungente há na ideia de que a
nossa sorte fique para sempre decidida, por
efeito de alguns anos de provações, ainda
quando de nós não tenha dependido o
atingirmos a perfeição, ao passo que
eminentemente consoladora é a ideia oposta,
que nos permite a esperança. Assim, sem nos
pronunciarmos pró ou contra a pluralidade das
existências, sem preferirmos uma hipótese a
outra, declaramos que, se aos homens fosse
dado escolher, ninguém quereria o julgamento
sem apelação. Disse um filósofo que, se Deus
não existisse, fora mister inventá-lo, para
felicidade do gênero humano. Outro tanto se
poderia dizer sobre a pluralidade das existências.
Mas, conforme atrás ponderamos, Deus

não nos pede permissão, nem consulta os nossos
gostos. Ou isto é, ou não é. Vejamos de que lado
estão as probabilidades e encaremos de outro
ponto de vista o assunto, unicamente como
estudo filosófico, sempre abstraindo do ensino
dos Espíritos.

Se não há reencarnação, só há, evidentemente,
uma existência corporal. Se a nossa atual
existência corpórea é única, a alma de cada
homem foi criada por ocasião do seu
nascimento, a menos que se admita a
anterioridade da alma, caso em que se caberia
perguntar o que era ela antes do nascimento e se
o estado em que se achava não constituía uma
existência sob forma qualquer. Não há meio
termo: ou a alma existia, ou não existia antes do
corpo. Se existia, qual a sua situação? Tinha, ou
não, consciência de si mesma? Se não tinha, é
quase como se não existisse. Se tinha
individualidade, era progressiva, ou estacionária?
Num e noutro caso, a que grau chegara ao tomar
o corpo?

Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a
alma nasce com o corpo, ou, o que vem a ser o
mesmo, que, antes de encarnar, só dispõe de
faculdades negativas, perguntamos: 1º Por que
mostra a alma aptidões tão diversas e
independentes das ideias que a educação lhe fez
adquirir?

2º Donde vem a aptidão extranormal que muitas
crianças em tenra idade revelam, para esta ou
aquela arte, para esta ou aquela ciência,
enquanto outras se conservam inferiores ou
medíocres durante a vida toda?

3º Donde, em uns, as ideias inatas ou intuitivas,
que noutros não existem?

4º Donde, em certas crianças, o instituto precoce
que revelam para os vícios ou para as virtudes,
os sentimentos inatos de dignidade ou de
baixeza, contrastando com o meio em que elas
nasceram?

5º Por que, abstraindo-se da educação, uns
homens são mais adiantados do que outros?

6º Por que há selvagens e homens civilizados? Se
tomardes de um menino hotentote recém-
nascido e o educardes nos nossos melhores
liceus, fareis dele algum dia um Laplace ou um
Newton?

Qual a filosofia ou a teosofia capaz de resolver
estes problemas? É fora de dúvida que, ou as
almas são iguais ao nascerem, ou são desiguais.
Se são iguais, por que, entre elas, tão grande
diversidade de aptidões? Dir-se-á que isso
depende do organismo. Mas, então, achamo-nos
em presença da mais monstruosa e imoral das
doutrinas. O homem seria simples máquina,
joguete da matéria; deixaria de ter a
responsabilidade de seus atos, pois que poderia
atribuir tudo às suas imperfeições físicas. Se
almas são desiguais, é que Deus as criou assim.
Nesse caso, porém, por que a inata superioridade
concedida a algumas?

Corresponderá essa parcialidade à justiça de
Deus e ao amor que Ele consagra igualmente a
todas suas criaturas?

Admitamos, ao contrário, uma série de
progressivas existências anteriores para cada
alma e tudo se explica. Ao nascerem, trazem os
homens a intuição do que aprenderam antes: São
mais ou menos adiantados, conforme o número
de existências que contem, conforme já estejam
mais ou menos afastados do ponto de partida.
Dá-se aí exatamente o que se observa numa
reunião de indivíduos de todas as idades, onde
cada um terá desenvolvimento proporcionado ao
número de anos que tenha vivido. As existências
sucessivas serão, para a vida da alma, o que os
anos são para a do corpo. Reuni, em certo dia,
um milheiro de indivíduos de um a oitenta anos;
suponde que um véu encubra todos os dias
precedentes ao em que os reunistes e que, em
consequência, acreditais que todos nasceram na
mesma ocasião. Perguntareis naturalmente como
é que uns são grandes e outros pequenos, uns
velhos e jovens outros, instruídos uns, outros
ainda ignorantes. Se, porém, dissipando-se a
nuvem que lhes oculta o passado, vierdes a saber
que todos hão vivido mais ou menos tempo, tudo
se vos tornará explicado. Deus, em Sua justiça,
não pode ter criado almas desigualmente
perfeitas. Com a pluralidade das existências, a
desigualdade que notamos nada mais apresenta
em oposição à mais rigorosa equidade: é que
apenas vemos o presente e não o passado. A
este raciocínio serve de base algum sistema,
alguma suposição gratuita? Não. Partimos de um
fato patente, incontestável: a desigualdade das
aptidões e do desenvolvimento intelectual e
moral e verificamos que nenhuma das teorias
correntes o explica, ao passo que uma outra
teoria lhe dá explicação simples, natural e lógica.
Será racional preferir-se as que não explicam
àquela que explica?

À vista da sexta interrogação acima, dirão
naturalmente que o hotentote é de raça inferior.
Perguntaremos, então, se o hotentote é ou não
um homem. Se é, por que a ele e à sua raça
privou Deus dos privilégios concedidos à raça
caucásica? Se não é, por que tentar fazê-lo
cristão? A Doutrina Espírita tem mais amplitude
do que tudo isto. Segundo ela, não há muitas
espécies de homens, há tão-somente cujos
espíritos estão mais ou menos atrasados, porém,
todos suscetíveis de progredir. Não é este
princípio mais conforme à justiça de Deus?

Vimos de apreciar a alma com relação ao seu
passado e ao seu presente. Se a considerarmos,
tendo em vista o seu futuro, esbarraremos nas
mesmas dificuldades.

1ª Se a nossa existência atual é que, só ela,
decidirá da nossa sorte vindoura, quais, na vida
futura, as posições respectivas do selvagem e do
homem civilizado? Estarão no mesmo nível, ou se
acharão distanciados um do outro, no tocante à
soma de felicidade eterna que lhes caiba?

2ª O homem que trabalhou toda a sua vida por
melhorar-se, virá a ocupar a mesma categoria de
outro que se conservou em grau inferior de
adiantamento, não por culpa sua, mas porque
não teve tempo, nem possibilidade de se tornar
melhor?

3ª O que praticou o mal, por não ter podido
instruir-se, será culpado de um estado de coisas
cuja existência em nada dependeu dele?

4ª Trabalha-se continuamente por esclarecer,
moralizar, civilizar os homens. Mas, em
contraposição a um que fica esclarecido, milhões
de outros morrem todos os dias antes que a luz
lhes tenha chegado. Qual a sorte destes últimos?
Serão tratados como réprobos? No caso
contrário, que fizeram para ocupar categoria
idêntica à dos outros?

5ª Que sorte aguarda os que morrem na infância,
quando ainda não puderam fazer nem o bem,
nem o mal? Se vão para o meio dos eleitos, por
que esse favor, sem que coisa alguma hajam
feito para merecê-lo? Em virtude de que
privilégio eles se veem isentos das tribulações da
vida?

Haverá alguma doutrina capaz de resolver esses
problemas? Admitam-se as existências
consecutivas e tudo se explicará conformemente
à justiça de Deus. O que se não pôde fazer numa
existência faz-se em outra. Assim é que ninguém
escapa à lei do progresso, que cada um será
recompensado segundo o seu merecimento real
e que ninguém fica excluído da felicidade
suprema, a que todos podem aspirar, quaisquer
que sejam os obstáculos com que topem no
caminho.

Essas questões facilmente se multiplicariam ao
infinito, porquanto inúmeros são os problemas
psicológicos e morais que só na pluralidade das
existências encontram solução.

Limitamo-nos a formular as de ordem mais
geral. Como quer que seja, alegar-se-á talvez
que a Igreja não admite a doutrina da
reencarnação; que ela subverteria a religião. Não
temos o intuito de tratar dessa questão neste
momento. Basta-nos o havermos demonstrado
que aquela doutrina é eminentemente moral e
racional. Ora, o que é moral e racional não pode
estar em oposição a uma religião que proclama
ser Deus a bondade e a razão por excelência.
Que teria sido da religião, se, contra a opinião
universal e o testemunho da ciência, se houvesse
obstinadamente recusado a render-se à
evidência e expulsado de seu seio todos os que
não acreditassem no movimento do Sol ou nos
seis dias da criação? Que crédito houvera
merecido e que autoridade teria tido, entre povos
cultos, uma religião fundada em erros manifestos
e que os impusesse como artigos de fé? Logo
que a evidência se patenteou, a Igreja,
criteriosamente, se colocou do lado da evidência.
Uma vez provado que certas coisas existentes
seriam impossíveis sem a reencarnação, que, a
não ser por esse meio, não se consegue explicar
alguns pontos do dogma, cumpre admiti-lo e
reconhecer meramente aparente o antagonismo
entre esta doutrina e a dogmática. Mais adiante
mostraremos que talvez seja muito menor do
que se pensa a distância que, da doutrina das
vidas sucessivas, separa a religião e que a esta
não faria aquela doutrina maior mal do que lhe
fizeram as descobertas do movimento da Terra e
dos períodos geológicos, as quais, à primeira
vista, pareceram desmentir os textos sagrados.
Demais, o princípio da reencarnação ressalta de
muitas passagens das Escrituras, achando-se
especialmente formulado, de modo explícito, no
Evangelho:

“Quando desciam da montanha (depois da
transfiguração), Jesus lhes fez esta
recomendação: Não faleis a ninguém do que
acabastes de ver, até que o Filho do homem
tenha ressuscitado, dentre os mortos.
Perguntaram-lhe então seus discípulos: Por que
dizem os escribas ser preciso que primeiro venha
Elias? Respondeu-lhes Jesus: É certo que Elias há
de vir e que restabelecerá todas as coisas. Mas,
eu vos declaro que Elias já veio, e eles não o
conheceram e o fizeram sofrer como
entenderam. Do mesmo modo darão a morte ao
Filho do homem. Compreenderam então seus
discípulos que era de João Batista que ele lhes
falava.” (São Mateus, cap. XVII.)

Pois que João Batista fora Elias, houve
reencarnação do Espírito ou da alma de Elias no
corpo de João Batista.

Em suma, como quer que opinemos acerca da
reencarnação, quer a aceitemos, quer não, isso
não constituirá motivo para que deixemos de
sofrê-la, desde que ela exista, mau grado a
todas as crenças em contrário. O essencial está
em que o ensino dos Espíritos é eminentemente
cristão; apóia-se na imortalidade da alma, nas
penas e recompensas futuras, na justiça de Deus,
no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo.
Logo, não é antireligioso.

Temos raciocinado, abstraindo, como dissemos,
de qualquer ensinamento espírita que, para
certas pessoas, carece de autoridade. Não é
somente porque veio dos Espíritos que nós e
tantos outros nos fizemos adeptos da pluralidade
das existências. É porque essa doutrina nos
pareceu a mais lógica e porque só ela resolve
questões até então insolúveis.

Ainda quando fosse da autoria de um simples
mortal, tê-la-íamos igualmente adotado e não
houvéramos hesitado um segundo mais em
renunciar às ideias que esposávamos. Em sendo
demonstrado o erro, muito mais que perder do
que ganhar tem o amor-próprio, com o se
obstinar na sustentação de uma ideia falsa.
Assim também, tê-la-íamos repelido, mesmo
que provindo dos Espíritos, se nos parecera
contrária à razão, como repelimos muitas outras,
pois sabemos, por experiência, que não se deve
aceitar cegamente tudo o que venha deles, da
mesma forma que se não deve adotar às cegas
tudo o que proceda dos homens. O melhor título
que, ao nosso ver, recomenda a ideia da
reencarnação é o de ser, antes de tudo, lógica.
Outro, no entanto, ela apresenta: o de a
confirmarem os fatos, fatos positivos e por bem
dizer, materiais, que um estudo atento e
criterioso revela a quem se dê ao trabalho de
observar com paciência e perseverança e diante
dos quais não há mais lugar para a dúvida.
Quando esses fatos se houverem vulgarizado,
como os da formação e do movimento da Terra,
forçoso será que todos se rendam à evidência e
os que se lhes colocaram em oposição ver-se-ão
constrangidos a desdizer-se.

Reconheçamos, portanto, em resumo, que só a
doutrina da pluralidade das existências explica o
que, sem ela, se mantém inexplicável; que é
altamente consoladora e conforme à mais
rigorosa justiça; que constitui para o homem a
âncora de salvação que Deus, por misericórdia,
lhe concedeu.

As próprias palavras de Jesus não permitem
dúvida a tal respeito. Eis o que se lê no
Evangelho de São João, capítulo III:

3. Respondendo a Nicodemos, disse Jesus: Em
verdade, em verdade, te digo que, se um homem
não nascer de novo, não poderá ver o reino de
Deus.

4. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem
nascer já estando velho? Pode tornar ao ventre de
sua mãe para nascer segunda vez?

5. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te
digo que, se um homem não renascer da água e
do Espírito, não poderá entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne e o que é
nascido do Espírito é Espírito. Não te admires de
que eu te tenha dito: é necessário que torneis a
nascer. (Ver, adiante, o parágrafo “Ressurreição
da carne”, n° 1010.)

De: Paulo
Para: Todos
E-mail: paulolimak@hotmail.com
Data: 02/05/16 09:43

“E em qualquer circunstância, não te entregues ao desalento nem ao medo, não engrossando as massas desgovernadas, convicto de que Jesus, o Governador Amorável da Terra, está vigilante, no entanto, conta contigo para a obra do bem geral”. Joanna de Ângelis

De: Victor Hugo
Para: Todos
E-mail: vhgdebem@gmail.com
Data: 28/04/16 11:57

\"DA PROIBIÇÃO DE EVOCAR OS MORTOS\"

(Allan Kardec, livro O Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo - Primeira Parte - Doutrina, cap. XI - Da proibição de evocar os mortos)


1.– A Igreja não nega absolutamente o fato das manifestações; ela admite-as todas, ao contrário, como se viu nas citações precedentes, mas atribui-as à intervenção exclusiva dos demônios. É erradamente que alguns evocam o Evangelho para proibi-las, pois o Evangelho não diz uma palavra sobre isso. O supremo argumento brandido é a proibição de Moisés. Eis em que termos se exprime a este respeito a pastoral citada nos artigos precedentes:

“Não é permitido colocar-se em relação com eles (os Espíritos), quer imediatamente, quer por intermédio daqueles que os invocam e os interrogam. A lei mosaica punia com a morte essas práticas detestáveis, correntes entre os gentios.” “Não vades encontrar os mágicos, está dito no livro do Levítico, e não dirijais aos adivinhos pergunta nenhuma, por medo de incorrer na mácula dirigindo-vos a eles.” (Cap. XIX, “v. 31.) – “Se um homem ou uma mulher tem um Espírito de Píton ou de adivinhação, que sejam punidos com a morte; serão lapidados, e seu sangue recairá sobre suas cabeças.” (Cap. XX, v. 27.) E no livro do Deuteronômio: “Que não haja entre vós ninguém que consulte os adivinhos, que observe os sonhos e os augúrios, ou que use de malefícios, sortilégios e encantamentos, ou que consulte aqueles que têm o Espírito de Píton e que praticam a adivinhação, ou que interrogam os mortos para saber a verdade; pois o Senhor tem em abominação todas essas coisas, e destruirá, à vossa chegada, as nações que cometem esses crimes.” (Cap. XVIII, v. 10, 11, 12.)


2. – É útil, para a inteligência do verdadeiro sentido das palavras de Moisés, relembrar o texto completo, um pouco abreviado nessa citação:

“Não vos afasteis de vosso Deus, para ir procurar os mágicos, e não consulteis os adivinhos, de medo de vos maculardes dirigindo-vos a eles. Eu sou o Senhor vosso Deus.” (Levítico, cap. XIX, v.31.)

“Se um homem ou uma mulher tem um Espírito de Píton, ou um espírito de adivinhação, que sejam punidos com a morte; serão lapidados, e seu sangue recairá sobre suas cabeças.” (Id., cap. XX, v. 27.)

“Quando tiverdes entrado no país que o Senhor vosso Deus vos dará, ficai muito atentos a não querer imitar as abominações desses povos; – e que não se encontre ninguém entre vós que pretenda purificar seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, ou que consulte os adivinhos, ou que observe os sonhos e os augúrios, ou que use de malefícios, de sortilégios e encantamentos, ou que consulte aqueles que têm o espírito de Píton, e que se dedicam a adivinhar, ou que interrogam os mortos para aprender a verdade. – Pois o Senhor tem em abominação todas essas coisas, e ele exterminará todos esses povos à vossa entrada, por causa desses tipos de crimes que eles cometeram.” (Deuteronômio, cap. XVIII, v. 9, 10, 11 e 12.)

3. – Se a lei de Moisés deve ser rigorosamente observada sobre este ponto, ela o deve ser sobre todos os outros, pois por que ela seria boa no que se refere às evocações, e má em outras partes? É preciso ser coerente; se se reconhece que sua lei não está mais em harmonia com nossos costumes e nossa época para certas coisas, não há razão para que não ocorra o mesmo com a proibição de que se trata.

É preciso, aliás, se reportar aos motivos que provocaram essa proibição, motivos que tinham então sua razão de ser, mas que não mais existem seguramente hoje em dia. O legislador hebreu queria que seu povo rompesse com todos os costumes trazidos do Egito, onde aquele das evocações era usual e um motivo de abuso, como provam estas palavras de Isaías: “O Espírito do Egito se aniquilará nela, e derrubarei sua prudência; eles consultarão seus ídolos, seus adivinhos, seus pítons e seus mágicos.” (Cap. XIX, v. 3.)

Além disso, os israelitas não deviam contrair nenhuma aliança com as nações estrangeiras; ora, eles iam encontrar as mesmas práticas entre aquelas onde iam entrar e que deviam combater. Moisés precisou então, por política, inspirar ao povo hebreu aversão por todos seus costumes que tivessem tido pontos de contato se eles os tivessem assimilado. Para motivar essa aversão, era preciso apresentá-los como reprovados pelo próprio Deus; é por isso que ele disse: “O Senhor tem em abominação todas essas coisas, e ele destruirá, à vossa chegada, as nações que cometem esses crimes.”

4 .– A proibição de Moisés era tanto mais justificada quanto não se evocavam os mortos por respeito ou afeição a eles, nem com um sentimento de piedade; era um meio de adivinhação, da mesma maneira que os augúrios e os presságios, explorado pelo charlatanismo e a superstição. Por mais tenha feito, não conseguiu desenraizar esse hábito tornado objeto de tráfico, assim como o atestam as passagens seguintes do mesmo profeta:

“E quando eles vos disserem: Consultai os mágicos e os adivinhos que falam baixinho em seus encantamentos, respondei-lhes: “Cada povo não consulta seu Deus? E vai-se falar aos mortos do que diz respeito aos vivos?” (Isaías, cap. VIII, v. 19.)

“Sou eu que faço ver a falsidade dos prodígios da magia; que torno insensatos aqueles que se dedicam a adivinhar; que confundo o espírito dos sábios, e que provo ser loucura a sua vã ciência.” (Cap. XLIV, v. 25.)

“Que esses augúrios que estudam o céu, que contemplam os astros, e que contam os meses para tirar daí as predições que querem dar-vos do futuro, venham agora, e que eles vos salvem. – Eles se tornaram como a palha, o fogo os devorou; não poderão livrar suas almas das chamas ardentes; nem mesmo restará de seu abrasamento carvões com os quais se possa aquecer, nem fogo diante do qual se possa sentar. – Eis o que se tornarão todas essas coisas nas quais vós vos empregáveis com tanto trabalho: esses mercadores que traficaram convosco desde vossa juventude fugirão todos, um para um lado, o outro para o outro, sem que se encontre um único que vos tire de vossos males.” (Cap. XLVII, v. 13, 14, 15.)

Neste capítulo, Isaías dirige-se aos babilônios, sob a figura alegórica da “virgem filha de Babilônia, filha dos caldeus.” (Vers. 1.) Ele diz que os encantadores não impedirão a ruína de sua monarquia. No capítulo seguinte, ele se dirige diretamente aos israelitas.

“Vinde aqui, vós, filhos de uma adivinha, raça de um homem adúltero e de uma mulher prostituída. – De quem troçastes? Contra quem abristes a boca, e lançastes vossas línguas penetrantes? Não sois filhos pérfidos e rebentos bastardos, – vós que procurais vosso consolo em vossos deuses debaixo de todas as árvores carregadas de folhagens, que sacrificais vossas criancinhas nas torrentes sob as rochas proeminentes? – Pusestes vossa confiança nas pedras da torrente; espalhastes licores para venerá-las; ofereceste-lhes sacrifícios. Depois disso, minha indignação não se inflamará?” (Cap. LVII, v. 3, 4, 5, 6.)

Estas palavras são inequívocas; provam claramente que, naquele tempo, as evocações tinham por finalidade a adivinhação, e que se fazia comércio delas; estavam associadas às práticas da magia e da bruxaria, e mesmo acompanhadas de sacrifícios humanos. Moisés tinha portanto razão de proibir essas coisas, e de dizer que Deus as tinha em abominação. Essas práticas supersticiosas se perpetuaram até a Idade Média; mas hoje a razão lhes fez justiça, e o Espiritismo veio mostrar a finalidade exclusivamente moral, consoladora e religiosa das relações de além-túmulo; uma vez que os espíritas não “sacrificam as criancinhas e não espalham licores para venerar os deuses,” não interrogam nem os astros, nem os mortos, nem os augúrios para conhecer o futuro que Deus sabiamente escondeu aos homens; repudiam todo tráfico da faculdade que alguns receberam de comunicar-se com os Espíritos; não são movidos nem pela curiosidade, nem pela cupidez, mas por um sentimento piedoso e unicamente pelo desejo de se instruir, de se aperfeiçoar e de aliviar as almas sofredoras; a proibição de Moisés não lhes diz respeito de maneira nenhuma; é o que teriam visto aqueles que a invocam contra eles, se tivessem aprofundado melhor o sentido das palavras bíblicas; teriam reconhecido que não existe nenhuma analogia entre o que ocorria entre os hebreus e os princípios do Espiritismo; muito mais: que o Espiritismo condena precisamente o que motivava a proibição de Moisés; mas, cegos pelo desejo de encontrar um argumento contra as ideias novas, eles não se aperceberam de que esse argumento não se sustenta.

A lei civil atual pune todos os abusos que Moisés queria reprimir. Se Moisés pronunciou o supremo suplício contra os delinquentes, é porque precisava de meios rigorosos para governar aquele povo indisciplinado; assim a pena de morte é prodigada em sua legislação; não havia de resto grande escolha em seus meios de repressão; não havia prisões, nem casas de correção no deserto, e seu povo não era de natureza a temer penas puramente disciplinares; ele não podia graduar sua penalidade como se faz em nossos dias. É portanto injustamente que se considera a severidade do castigo para provar o grau de culpa da evocação dos mortos. Seria preciso por respeito à lei de Moisés manter a pena capital para todos os casos em que ele a aplicava? Por que, aliás, se faz reviver com tanta insistência este artigo, ao passo que não se fala do começo do capítulo que proíbe aos padres possuir os bens da terra, e ter parte em qualquer herança, porque o Senhor é ele próprio sua herança? (Deuteronômio, cap. XXVIII, v. 1 e 2.)


5. – Há duas partes distintas na lei de Moisés: a lei de Deus propriamente dita, promulgada no monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar apropriada aos costumes e ao caráter do povo; uma é invariável, a outra se modifica de acordo com os tempos, e não pode vir ao pensamento de ninguém que possamos ser governados pelos mesmos meios que os hebreus no deserto, como também os capitulares de Carlos Magno não se poderiam aplicar à França do século dezenove. Quem sonharia, por exemplo, fazer reviver hoje este artigo da lei mosaica: “Se um boi ferir com seu chifre um homem ou uma mulher, e eles morrerem por isso, o boi será lapidado, e não se comerá sua carne; mas o dono do boi será julgado inocente.” (Êxodo, cap. XXI, v. 28 e seg.)
Este artigo que nos parece tão absurdo, não tinha porém por objeto punir o boi e absolver seu dono; ele equivalia simplesmente ao confisco do animal, causa do acidente, para obrigar o proprietário a ser mais vigilante. A perda do boi era a punição do dono, punição que devia ser bastante sensível para um povo pastor, para que não fosse necessário infligir-lhe outra; mas ela não devia beneficiar ninguém, por isso era proibido comer-lhe a carne. Outros artigos estipulam o caso em que o dono é responsável.

Tudo tinha sua razão de ser na legislação de Moisés, pois tudo está aí previsto até nos menores detalhes; mas a forma assim como o fundo eram segundo as circunstâncias em que ele se achava. Decerto, se Moisés voltasse hoje para dar um código a uma nação civilizada da Europa, não lhe daria o dos hebreus.


6. – A isso objeta-se que todas as leis de Moisés são editadas em nome de Deus, assim como a do Sinai. Se todas são julgadas de fonte divina, por que os mandamentos se limitam ao Decálogo? É portanto porque se diferenciaram; se todas emanam de Deus, todas são igualmente obrigatórias; por que não são todas observadas? Por que, além disso, não se conservou a circuncisão que Jesus sofreu e não aboliu? Esquece-se que todos os legisladores antigos, para dar mais autoridade às suas leis, disseram que elas provinham de uma divindade. Moisés tinha mais do qualquer outro necessidade desse apoio, por causa do caráter de seu povo; se, apesar disso, teve tanta dificuldade para se fazer obedecer, teria sido bem pior, se as tivesse promulgado em seu próprio nome.
Não veio Jesus modificar a lei mosaica, e não é sua lei o código dos cristãos? Não disse ele: “Aprendestes que foi dito aos antigos tal e qual coisa, e eu vos digo tal outra coisa?” Mas tocou ele na lei do Sinai? De modo nenhum; ele a sanciona, e toda sua doutrina moral não é senão o desenvolvimento daquela. Ora, ele não fala em nenhum lugar da proibição de evocar os mortos. Era porém uma questão bastante grave, para que ele a tivesse omitido em suas instruções, enquanto tratou de outras mais secundárias.


7. – Em resumo, trata-se de saber se a Igreja põe a lei mosaica acima da lei evangélica, dito de outro modo, se ela é mais judia do que cristã. Deve-se mesmo observar que, de todas as religiões, aquela que menos oposição fez ao Espiritismo é a judia, e que ela não invocou contra as relações com os mortos a lei de Moisés sobre a qual se apoiam as seitas cristãs.

8. – Outra contradição. Se Moisés proibiu evocar os Espíritos dos mortos, é portanto porque esses Espíritos podem vir, de outro modo sua proibição teria sido inútil. Se eles podiam vir no tempo dele, ainda o podem hoje; se são os Espíritos dos mortos, então não são exclusivamente demônios. De resto, Moisés não fala absolutamente destes últimos.

Logo, é evidente que não se poderia logicamente apoiar-se na lei de Moisés nesta circunstância, pelo duplo motivo de que ela não rege o Cristianismo, e não é apropriada aos costumes da nossa época. Mas, supondo-lhe toda a autoridade que alguns lhe concedem, ela não pode, assim como vimos, aplicar-se ao Espiritismo.

Moisés, é verdade, engloba a interrogação dos mortos na sua proibição; mas é apenas de maneira secundária, e como acessório das práticas da magia. A própria palavra interrogar posta ao lado dos adivinhos e dos augúrios prova que, entre os hebreus, as evocações eram um meio de adivinhação; ora, os espíritas não evocam os mortos para obter deles revelações ilícitas, mas para receber sábios conselhos e obter alívio para os que sofrem. Decerto, se os hebreus se tivessem servido das comunicações de além-túmulo unicamente com esse objetivo, longe de proibi-las, Moisés as teria encorajado, porque elas teriam tornado seu povo mais dócil.


9. – Se alguns críticos jocosos ou mal intencionados se deleitaram em apresentar as reuniões espíritas como assembleias de feiticeiros e de necromantes, e os médiuns como adivinhos; se alguns charlatães misturam esse nome a práticas ridículas que ele desaprova, bastante gente conhece perfeitamente o caráter essencialmente moral e grave das reuniões do espiritismo sério; a doutrina escrita para toda gente, protesta suficientemente contra os abusos de todo gênero para que a calúnia recaia sobre quem a merece.


10. – A evocação, diz-se, é uma falta de respeito pelos mortos cuja cinza não se deve perturbar. Quem diz isso? Os adversários de dois campos opostos que se dão as mãos: os incrédulos que não creem nas almas, e aqueles que, crendo, pretendem que elas não podem vir e que unicamente o demônio se apresenta.


Quando a evocação é feita religiosamente e com recolhimento; quando os Espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e de simpatia, e com o desejo sincero de se instruir e de se tornar melhor, não vemos o que haveria de mais desrespeitoso em chamar as pessoas após sua morte do que enquanto vivas. Mas há outra resposta peremptória a esta objeção, é que os Espíritos vêm livremente e não por coerção; que eles vêm mesmo espontaneamente sem ser chamados; que eles testemunham sua satisfação de se comunicar com os homens, e se queixam com frequência do esquecimento em que por vezes são deixados. Se fossem perturbados em sua quietude ou ficassem descontentes com nosso chamado eles o diriam, ou não viriam. Visto que são livres, quando vêm, é que isso lhes convém.



11. – Alega-se outra razão: “As almas, diz-se, permanecem na morada que a justiça de Deus lhes designou, ou seja, no inferno ou no paraíso;” assim aquelas que estão no inferno não podem sair de lá, embora a esse respeito toda liberdade seja deixada aos demônios; aquelas que estão no paraíso estão inteiramente na sua beatitude; estão demasiado acima dos mortais para se ocuparem deles, e demasiado felizes para voltarem a esta terra de miséria se interessar pelos parentes e amigos que aqui deixaram. Elas são, portanto, como esses ricos que afastam a vista dos pobres, de medo que isso lhes perturbe a digestão? Se assim fosse, elas seriam pouco dignas da felicidade suprema, que nesse caso seria o prêmio do egoísmo. Restam aquelas que estão no purgatório; mas essas são sofredoras e têm de pensar em sua salvação antes de tudo; portanto, não podendo vir nem umas nem outras, unicamente o diabo vem em lugar delas. Se elas não podem vir, não se deve temer perturbar-lhes o repouso.


12. – Mas aqui se apresenta outra dificuldade. Se as almas que estão na beatitude não podem deixar sua morada afortunada para vir em socorro dos mortais, por que a Igreja invoca a assistência dos santos, que devem gozar da maior soma possível de beatitude? Por que diz ela aos fiéis para invocá-los nas doenças, aflições, e para se preservar dos flagelos? Por que, segundo ela, os santos, a própria Virgem, vêm mostrar-se aos homens e fazer milagres? Portanto, eles deixam o céu para vir à terra. Se aqueles que estão no mais alto dos céus podem deixá-lo, por que os que são menos elevados não o poderiam?


13. – Que os incrédulos neguem a manifestação das almas, isso se concebe visto que não creem na alma; mas o que é estranho é ver aqueles cujas crenças repousam sobre sua existência e seu futuro, se encarniçarem contra os meios de provar que ela existe, e esforçarem-se por demonstrar que isso é impossível. Pareceria natural, ao contrário, que aqueles que mais têm interesse na sua existência devessem acolher com alegria, e como um benefício da Providência, os meios de confundir os negadores por provas irrefutáveis, visto que são os negadores da religião. Eles deploram sem cessar a invasão da incredulidade que dizima o rebanho dos fiéis, e quando o meio mais poderoso de combatê-la se apresenta, eles o repelem com mais obstinação do que os próprios incrédulos. Depois, quando as provas transbordam a ponto de não deixar nenhuma dúvida, recorre-se, como argumento supremo, à proibição de se ocupar disso, e para justificá-la vai-se buscar um artigo da lei de Moisés, com que ninguém nem sonhava, e onde se quer ver, por toda força, uma aplicação que não existe. Fica-se tão contente com esta descoberta que não se percebe que esse artigo é uma justificação da doutrina espírita.


14. – Todos os motivos alegados contra as relações com os Espíritos não podem resistir a um exame sério; da obstinação posta nisso, no entanto, pode-se inferir que a essa questão se vincula um grande interesse, sem isso não haveria tanta insistência. A ver essa cruzada de todos os cultos contra as manifestações, dir-se-ia que eles as temem. O verdadeiro motivo poderia bem ser o temor de que os Espíritos, muito clarividentes, viessem esclarecer os homens sobre os pontos que se faz questão de deixar na sombra, e fazer-lhes conhecer exatamente o que ocorre no outro mundo e as verdadeiras condições para ser ali feliz ou infeliz. É por isso que, assim como se diz a uma criança: “Não vás lá, há um lobisomem;” diz-se aos homens: “Não chameis os Espíritos, é o diabo.” Mas por mais que se faça, se proibirem os homens de chamar os Espíritos, não impedirão os Espíritos de vir aos homens tirar a lâmpada de sob o alqueire.


O culto que estiver na verdade absoluta não terá nada a temer da luz, pois a luz fará sobressair a verdade, e o demônio não poderia prevalecer contra a verdade.

15. – Repelir as comunicações de além-túmulo é rejeitar o poderoso meio de instrução que resulta para si mesmo da iniciação à vida futura, e dos exemplos que elas nos fornecem. Ensinando-nos a experiência, além disso, o bem que se pode fazer afastando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a se libertar da matéria e a se melhorar, proibi-las é privar almas infelizes da assistência que lhes podemos dar. As seguintes palavras de um Espírito resumem admiravelmente as consequências da evocação praticada com um objetivo caridoso:

“Cada Espírito sofredor e queixoso vos contará a causa de sua queda, os arrastamentos a que sucumbiu; ele vos falará de suas esperanças, seus combates, seus terrores; ele vos contará seus remorsos, suas dores, seus desesperos; ele vos mostrará Deus, justamente irritado, punindo o culpado com toda a severidade de sua justiça.

Escutando-o, ficareis tomados de compaixão por ele e de temor por vós mesmos; seguindo-o em suas queixas, vereis Deus não o perdendo de vista, aguardando o pecador arrependido, estendendo-lhe os braços tão logo ele tente avançar. Vereis os progressos do culpado, para os quais tereis a felicidade e a glória de ter contribuído; vós os acompanhareis com solicitude, como o cirurgião acompanha os progressos do ferimento que ele trata diariamente.” (Bordeaux, 1861.)




De: wilson
Para: Os estudiosos
E-mail: wilsonmoreno67@gmail.com
Data: 26/04/16 12:20

Allan Kardec em suas obras não manda ninguém usar velas, incenso, amuletos, talismã, roupas brancas, imagens nada disso existe na Doutrina Espírita pura de Kardec, o Espiritismo não pode ser misturado com praticas místicas de magia, umbanda, ocultismo nada disso tem sentido racional e doutrinário para o Espiritismo.
Não existe Espiritismo de umbanda ou espírita umbandista, Kardec como disse antes ele nunca mandou ninguém usar objetos matérias, velas, imagens, roupas brancas, amuletos etc....

Objetos matérias não tem nenhum poder espiritual para afastar os maus espíritos e nem para atrair os espíritos elevados, somente nossos pensamentos, sentimentos e conduta moral podem atrair ou repelir os espíritos desencarnados.
Eu posso usar roupas brancas, velas, amuletos, talismã, imagens de santos e continuar com maus pensamentos, maus desejos, fraquezas, medos, vícios, desonesto, picareta etc....
É a minha elevação moral a pratica do bem e das virtudes é que vai me proteger psiquicamente dos espíritos obsessores, tudo esta em meus pensamentos e conduta moral.
A Proteção espiritual quem faz é a própria pessoa pelos seus pensamentos e atitudes morais.
Os maus espíritos adoram pessoas de vontade fraca, com vícios, maus pensamentos ou pensamentos de fraquezas, as pessoas que não procuram se melhorar moralmente e são fracas nos pensamentos são um alvo fácil para os espíritos obsessores, eles adoram pessoas fracas.


Uma outra questão muito importante.

Os espíritos elevados estão livres das influencias da matéria, eles não pedem coisas matérias como velas, despachos, cigarros, charutos, bebidas alcoólicas, sacrifícios de pobres animais, somente espíritos inferiores ainda apegados a matéria é que pedem coisas matérias.
Os espíritos que estão apegados a matéria pedem coisas matérias.
Os espíritos que não estão apegados a matéria não pedem coisas matérias.
Os espíritos superiores e elevados e nobres não vão mandar ninguém beber e fumar e muito menos sacrificar pobres animais.
Os espíritos de Luz pregam o respeito e o amor pelos animais.

Vejamos essas questões.

1) Os espíritos elevados e nobres precisam de coisas matérias???
Eles pedem bebidas alcoólicas, cigarros, charutos e despachos????

2) Os espíritos elevados vão pedir sacrifícios de pobres animais????

3) Os espíritos elevados falam palavrões????

4) Vc confia nessas entidades que bebem e fumam???

Essas praticas vão materializar o senso moral das pessoas, os espíritos elevados pregam somente as virtudes, a elevação moral e o DESAPEGO AS COISAS MATERIAS.
Se um espírito desencarnado fala palavrões, pede bebidas alcoólicas, cigarros, comida, charutos e despachos ele esta dando UM MAU EXEMPLO MORAL para as pessoas.
Já pensou um espírito falando palavrões e fumando e bebendo, isso vai materializar o senso moral das pessoas que estão nesses ambientes .
Os espíritos elevados procuram ESPIRITUALIZAR o ambiente e as pessoas pregando a elevação moral, a pureza dos pensamentos e O DESAPEGO AS COISAS MATÉRIAS.
Os espíritos que pedem coisas matérias é por que eles estão ainda apegados a matéria, aos desejos e vícios terrenos.

Os espíritos elevados pregam a DESMATERIALIZAÇÃO moral e espiritual e não a materialização do senso moral, com essas praticas de pedir coisas matérias.
Fumar, beber, usar palavrões, pedir despachos, velas e sacrifícios de pobres animais vai contribuir para provocar o apego material nas pessoas.
Deu para entender.
Nós temos é que nos espiritualizar se livrando de vícios, maus desejos, maus pensamentos, fraquezas, medos, timidez, maus hábitos etc...

Se os guias da umbanda fosse espíritos elevados eles não iriam pedir coisas matérias como velas, despachos, bebidas alcoólicas, cigarros, charutos e oferendas, os espíritos que pedem essas coisas matérias são espíritos inferiores ainda apegados a matéria, espíritos sem luz e sem esclarecimentos.
Como eles estão apegados a matéria eles vão pedir coisas matérias, eles estão com seu senso moral ainda materializados.

Wilson Moreno



De: wilson
Para: Os estudiosos
E-mail: wilsonmoreno67@gmail.com
Data: 22/04/16 09:16

A proteção espiritual esta em nossos pensamentos e conduta moral.

Vejamos essa questão.
Os espíritos elevados e superiores e os bons espíritos não podem se aproximar vibratoriamente de pessoas que estejam cultivando maus desejos, maus pensamentos ou pensamentos de fraquezas, vícios e maus hábitos.
Por que, não existe condições de SINTONIA MENTAL OU SINTONIA VIBRATORIA.
O Bem tem sintonia com o bem.
A Virtude tem sintonia com a virtude.
A Luz tem sintonia com a Luz.

O mal tem sintonia com o mal.
Os vícios tem sintonia com os vícios.
A escuridão tem sintonia com a escuridão.

Tudo é SINTONIA.

Vamos analisar que a pessoa tem que se melhorar moralmente e mentalmente, elevar seus pensamentos e sentimentos e ter atitudes mais corretas e honestas, para poder criar um campo vibratório positivo para atrair a assistência luminosa dos espíritos elevados.
Vibrações elevadas vão atrair outras vibrações elevadas.
Vibrações baixas vão atrair outras vibrações baixas.
Conclusão, a proteção espiritual quem faz é a própria pessoa pelos seus pensamentos, sentimentos, raciocínio e força de vontade.
Uma pessoa de vontade fraca, com pensamentos negativos, fraquezas, vícios, manias, será um alvo fácil para os espiritos obsessores, ela pode falar muito em Deus e em Jesus que isso não vai mudar nada.
São os pensamentos, os sentimentos e as atitudes dela que vai fazer a diferença.

Eu posso falar muito em Deus, em Jesus, em Buda, posso acender velas para os santos catolicistas, mais se eu continuo com maus pensamentos, fraquezas, vícios, maus desejos e tenho uma vontade fraca, vou ser uma presa fácil para as falanges de espiritos obsessores que estão aos milhões vagando pela crosta terrena.

Os maus espíritos adoram pessoas de vontade fraca, com maus desejos, vícios, manias, que se irritam com facilidade que são invigilantes com seus pensamentos e conduta moral.
Ela pode falar muito em Deus ou Jesus ou rezar muito que isso não tem nenhum poder espiritual para afastar os espiritos perturbadores e obsessores do plano espiritual.
Seu poder espiritual esta em seus PENSAMENTOS, SENTIMENTOS, CONDUTA MORAL E FORÇA DE VONTADE.

Não existem milagres e nem o Deus protetor.

Vejamos essa pergunta.
Por que muitos materialistas e ateus não são obsedados????
Eles não acreditam em Deus e nem em Jesus, mais possuem boas qualidades morais, possuem pensamentos elevados, sentimentos nobres, são corretos e honestos, dessa forma eles vão entrar em sintonia com os espiritos elevados e superiores.
Eles vão ter uma boa assistência espiritual.
Tudo vai depender das nossas condições morais e mentais, nossos pensamentos, sentimentos e conduta moral É NISSO QUE ESTA A NOSSA PROTEÇÃO ESPIRITUAL.
Disciplina moral para afastar os espiritos obsessores e as energias negativas do plano espiritual.

Procure sempre ser calmo e concentrado.
Cuidado com as irritações e o nervosismo.
Se afaste de pessoas maldosas e negativas.
Se afaste de ambientes de baixo nível moral.
Procure cultivar pensamentos elevados e positivos
Procure desenvolver sua força mental
Desenvolva sua força de vontade seja forte na vontade.
Combata os vícios e maus desejos
Procure ser uma pessoa boa, correta e honesta mais cuidado para vc não ser usado ou explorado por pessoas sacanas e maliciosas.
Não seja um bobão nem um fraco na vida aprenda a dizer não para as coisas negativas da vida.

SEJA FORTE MENTALMENTE E MORALMENTE, POR QUE, OS FRACOS SERÃO SEMPRE PERDEDORES, FRACASSADOS E OBSEDADOS.



TUDO É AFINIDADE, ATRAÇÃO E SINTONIA NO MUNDO ESPIRITUAL, PELO PENSAMENTO ATRAÍMOS BONS OU MAUS ESPÍRITOS.

TUDO RESIDE EM NOSSOS PENSAMENTOS.

Como disse Jesus, o ser conforme pensar assim será.
Nós somos o que pensamos e atraímos o bem e o mal pelos pensamentos.
Uma pessoa de pensamentos elevados, positivos e nobres e de conduta moral reta no Bem, na caridade e nas virtudes, fica imune as influencias nocivas dos espíritos obsessores.
Os pensamentos elevados, puros e firmes no Bem repele facilmente os maus espíritos.
O Bem é mais forte que o mal.

Como afastar os maus espíritos.

Para afastar os maus espíritos temos que cultivar pensamentos elevados e positivos e ter uma Conduta Moral reta no Bem e nas Virtudes.
Na realidade a proteção espiritual quem faz é a própria pessoa conforme seus pensamentos e conduta moral, os espíritos inferiores, perturbadores e obsessores do plano astral, não conseguem entrar em sintonia com as pessoas dignas, corretas, honestas e caridosas.
O Bem repele o mal.
A Luz repele as sombras.

NÃO HAVENDO SINTONIA OS MAUS ESPÍRITOS SE AFASTAM.

TUDO É SINTONIA VIBRATÓRIA NO MUNDO ESPIRITUAL, OS IGUAIS SE ATRAEM E OS DIFERENTES SE REPELEM.

Uma pessoa com pensamentos elevados e firmes no Bem e de conduta moral reta, repele naturalmente e facilmente os espíritos inferiores e obsessores.

Os espíritos inferiores, perturbadores, maldosos, vingativos e obsessores, possuem um perispirito denso, turvo, grosseiro, eles estão envolvidos em fluidos impuros, na crosta terrena tem milhões de espíritos desencarnados em estado de apego as coisas matérias e aos vícios e desejos terrenos, eles exercem uma forte influencia negativa sobre as pessoas que são invigilantes com seus pensamentos e conduta moral.
Temos que tomar muito cuidado com nossos pensamentos, por que, esses espíritos inferiores que estão na crosta terrena procuram nos influenciar é pelos pensamentos, pela sintonia vibratória.

Como esses espíritos desencarnados não possuem mais seus corpos físicos para saciarem seus vícios e desejos, eles vão procurar os encarnados que possuem os mesmos vícios e desejos.
É o encosto, esses espíritos inferiores vão encostar o seu perispirito no perispirito do encarnado e vão sentir as mesmas coisas que essa pessoa sente, se a pessoa bebe e fuma, os desencarnados viciados vão sugar os fluidos da nicotina e do álcool, é o vampirismo psíquico.
Os desencarnados viciados em Sexo, vão encostar o seu perispirito no perispirito do encarnado que esta praticando sexo sem elevação moral, e o desencarnado vai sentir os mesmos prazeres de uma transa.
É por isso que devemos ter uma vida terrena digna, correta, honesta, com elevação moral, para podermos repelir esses espíritos inferiores do plano astral.
O Bem repele o mal.


Wilson Moreno.

De: Victor Hugo
Para: Todos
E-mail: vhgdebem@gmail.com
Data: 14/04/16 16:00

PERSEVERAI NO BEM E NÃO VACILEIS
Filhos e filhas do coração, guarde-nos na sua paz o Mestre incomparável.

Os ciclos da evolução sucedem-se invariavelmente obedecendo à planificação superior. Períodos de ascendência evolutiva caracterizados pelo conhecimento, períodos outros de maturidade para fixação dos postulados apreendidos. É inevitável que vivamos as crises existenciais decorrentes da situação moral em que se encontra o nosso planeta.

Reencarnastes-vos para contribuir com o momento da mudança de paradigmas do planeta de provas e de expiações para o mundo de regeneração. Assumistes o compromisso de divulgar Jesus Cristo conforme as lições insuperáveis do seu Evangelho.

A ciência e a tecnologia, a partir do século XVII, vêm realizando mister para o qual foram criadas pela Divindade esses paradigmas, mas o amor, experiência nova no mapa evolutivo das criaturas terrestres, não pode acompanhar esse desenvolvimento fascinante que, de um lado, proporciona comodidade, diminuição de aflições, facilidades no intercâmbio, aproximação dos sentimentos na construção do bem, mas sob outro aspecto, utilizados por mentes enfermas e corações aturdidos, têm sido os instrumentos da degradação das massas, da apropriação indébita das consciências, da vulgarização das propostas nobres do bem.

Alucinam-se aqueles que desejam controlar as inteligências humanas e proclamam o niilismo, assumindo a responsabilidade grave de diluir a fé nas almas já enfraquecidas, contribuindo para que se estabeleça o caos, através da perda de valores morais e de sentimentos de engrandecimento da alma. É necessário vigiar para depois orar em tranquilidade ante os recursos que se intrometem com objetivos nefandos na sementeira luminosa do conhecimento.

Olhamos uma sociedade que se degrada na luta infeliz do egocentrismo, do individualismo, da consumpção dos valores herdados da divina Providência e, não poucas vezes, a dúvida interroga as mentes mais saudáveis, “quando a sociedade será melhor?”, porque a grande mídia prefere a divulgação daquelas condições canhestras, exageradamente perniciosas, como as que devem ser vivenciadas pelas massas. Surgem comportamentos esdrúxulos, atitudes que chocam, e lentamente o desencanto e o medo passam a residir nos sentimentos antes audazes com a deserção de muitos lutadores empenhados na construção do reino de Deus.

Não temais o mal, nem os maus. As suas artimanhas têm a durabilidade da sua própria facécia, logo desaparecem assim que são arrebatados pelo túmulo os idealistas que despertam no Além com a consciência atormentada e o coração estiolado.

Perseverai no bem.

Unidos seremos resistência, fragmentados seremos vencidos em nossos objetivos essenciais. Temos o direito de discrepar, de pensar de maneira diversa e o dever de discutir, de expor, mas não de dissentir. Evocando o encontro de Jerusalém, quando as duas figuras exponenciais do Evangelho de Jesus, Pedro e Paulo, enfrentaram-se para debater paradigmas de alta relevância na divulgação do Evangelho límpido e cristalino que Jesus trouxe para todos, sem privilégios nem preconceitos, relembramos que foi o amor que venceu as opiniões divergentes e que em lágrimas fez que o primeiro concílio dos cristãos se transformasse na pedra angular da divulgação da verdade, depois que o Mestre retornou aos páramos divinos.

Mantende-vos coesos com a Codificação Espírita, que um dia influenciará o comportamento da sociedade terrestre. O Espiritismo não é uma filosofia para determinado número de criaturas, é uma mensagem de vida eterna para todos os seres humanos. E, ante a interrogação dos desafios que parecem apresentar uma humanidade em decadência, ponde a certeza de que a Barca terrestre continua sob o comando do nauta Jesus, e na sua marcha inexorável irá aportar no país da regeneração.

Dai-vos as mãos em qualquer circunstância.

Que a sensibilidade exacerbada, nascida na presunção ou nos dispositivos egóicos, não vos constitua impedimento ao trabalho de iluminar consciências.

Existem, filhas e filhos amados, mais relevantes ações do bem do que degradação e decadência. Sucede que o erro e o vício trombeteiam as suas ações, enquanto a virtude discreta e silenciosa aproveita das noites sem estrelas para se tornarem as lâmpadas divinas guiando para o momento supremo da libertação.

Sabemos das vossas lutas, dos vossos testemunhos silenciosos, das lágrimas vertidas ante o que desejais realizar e o que lograis fazer. Não poucas vezes, com os vossos guias espirituais, enxugamo-vos o pranto e apontamo-vos o rumo no oceano bravio a ser conquistado para serem encontradas as terras da promissão.

Não vacileis!

Utilizai-vos dos sublimes recursos da Doutrina, especialmente as reuniões mediúnicas para, através dessa ponte sublime, que liga um ao outro plano da vida, deslindardes os aranzéis das forças negativas que muitas vezes vos envolvem, disseminando nos sentimentos amarguras e decepções.

Não creiais que aquilo que não lograis seja negativa do Senhor; antes considerai que a dificuldade de agora é a melhor solução para as necessidades vigentes. Amanhã entendereis melhor o que hoje vos constitui incógnita.

Saudamo-vos, filhas e filhos da união, pelos resultados do nosso encontro anual, pela serenidade com que discutistes os temas em pauta.

Agradecemos a Deus a compreensão das necessidades locais, na Pátria do Cruzeiro, neste país continental, que deve restaurar o pensamento de Jesus e enviá-lo para a humanidade.

À Europa e aos Estados Unidos da América do Norte cabem as investigações mais profundas em quase todas as áreas do conhecimento. À nova Sulamérica, marcada pela dor, pelo sofrimento do irmão de África e do indígena ingênuo e nativo, compete o surgimento do bem com a contribuição da Europa e da Ásia, caracterizado pelo sentimento de amor. Seremos a demonstração viva de que a mais pulsante força do universo é o amor, porque Deus é amor, e através desse amor que vige em toda parte e em nós, podemos tolerar-nos e dar-nos as mãos para os objetivos que nos levarão à plenitude.

Exultai, porque o Senhor vigia e os seus embaixadores, os cocriadores do planeta que lhe têm a direção estão alertas e a programação em pauta está sendo executada mesmo que, por enquanto, não seja visível quanto gostaríamos.

Contribuí, pois, filhas e filhos da alma, com a vossa ternura, burilando as imperfeições do período primário da evolução e, transformando-as em sentimentos de entrega em nome da caridade fraternal que, em breve, se expandirá pela Terra toda, sem que haja a diferença dos superdesenvolvidos e dos miseráveis, quando então o lobo feroz estará na mesma fonte sorvendo a água ao lado do cordeiro pacífico.

Nesses dias que se aproximam, e de que fazeis parte, exultai com os corações voltados para Jesus e cantai hosanas.

Tendes o nome escrito no livro do reino dos Céus e esforçai-vos para que seja mantido diante da misericórdia inefável daquele que é o caminho para a verdade, que é o caminho para a vida: nosso Senhor Jesus Cristo!

Os Espíritos-espíritas trabalhadores da Casa de Ismael, mantenedora do lema Deus, Cristo e Caridade, aqui conosco, solicitam-nos para que lhes sejamos a voz pedindo: avante, anônimos seareiros da verdade, e amai até as últimas forças da vossa jornada no planeta abençoado!

Muita paz, filhas e filhos, são os votos do servidor e amigo de sempre,

Bezerra


Mensagem psicofônica de Espírito Bezerra de Menezes pelo médium Divaldo Pereira Franco no encerramento da reunião ordinária do Conselho Federativo Nacional, realizada em Brasília, entre os dias 6 e 8 de novembro de 2015.

De: Victor Hugo
Para: Todos
E-mail: vhgdebem@gmail.com
Data: 12/04/16 09:49

TRANSIÇÃO DO PLANETA

\"Meus filhos:

Que Jesus nos abençoe

A sociedade terrena vive, na atualidade, um grave momento mediúnico no qual, de forma inconsciente, dá-se o intercâmbio entre as duas esferas da vida. Entidades assinaladas pelo ódio, pelo ressentimento, e tomadas de amargura cobram daqueles algozes de ontem o pesado ônus da aflição que lhes tenham proporcionado. Espíritos nobres, voltados ao ideal de elevação humana sincronizam com as potências espirituais na edificação de um mundo melhor. As obsessões campeiam de forma pandêmica, confundindo-se com os transtornos psicopatológicos que trazem os processos afligentes e degenerativos.

Sucede que a Terra vivencia, neste período, a grande transição de mundo de provas e de expiações para mundo de regeneração.

Nunca houve tanta conquista da ciência e da tecnologia, e tanta hediondez do sentimento e das emoções. As glórias das conquistas do intelecto esmaecem diante do abismo da crueldade, da dissolução dos costumes, da perda da ética, e da decadência das conquistas da civilização e da cultura...

Não seja, pois, de estranhar que a dor, sob vários aspectos, espraia-se no planeta terrestre não apenas como látego mas, sobretudo, como convite à reflexão, como análise à transitoriedade do corpo, com o propósito de convocar as mentes e os corações para o ser espiritual que todos somos.

Fala-se sobre a tragédia do cotidiano com razão.

As ameaças de natureza sísmica, a cada momento tornam-se realidade tanto de um lado como de outro do planeta. O crime campeia a solta e a floração da juventude entrega-se, com exceções compreensíveis, ao abastardamento do caráter, às licenças morais e à agressividade.

Sucede, meus filhos, que as regiões de sofrimento profundo estão liberando seus hóspedes que ali ficaram, em cárcere privado, por muitos séculos e agora, na grande transição, recebem a oportunidade de voltarem-se para o bem ou de optar pela loucura a que se têm entregado. E esses, que teimosamente permanecem no mal, a benefício próprio e do planeta, irão ao exílio em orbes inferiores onde lapidarão a alma auxiliando os seus irmãos de natureza primitiva, como nos aconteceu no passado.

Por outro lado, os nobres promotores do progresso de todos os tempos passados também se reencarnam nesta hora para acelerar as conquistas, não só da inteligência e da tecnologia de ponta, mas também dos valores morais e espirituais. Ao lado deles, benfeitores de outra dimensão emboscam-se na matéria para se tornarem os grandes líderes e sensibilizarem esses verdugos da sociedade.

Aos médiuns cabe a grande tarefa de ser ponte entre as dores e as consolações. Aos dialogadores cabe a honrosa tarefa de ser, cada um deles, psicoterapeutas de desencarnados, contribuindo para a saúde geral. Enquanto os médiuns se entregam ao benefício caridoso com os irmãos em agonia, também têm as suas dores diminuídas, o seu fardo de provas amenizadas, as suas aflições contornadas, porque o amor é o grande mensageiro da misericórdia que dilui todos os impedimentos ao progresso – é o sol da vida, meus filhos, que dissolve a névoa da ignorância e que apaga a noite da impiedade.

Reencarnastes para contribuir em favor da Nova Era.

As vossas existências não aconteceram ao acaso, foram programadas.

Antes de mergulhardes na neblina carnal, lestes o programa que vos dizia respeito e o firmastes, dando o assentimento para as provas e as glórias estelares.

O Espiritismo é Jesus que volta de braços abertos, descrucificado, ressurreto e vivo, cantando a sinfonia gloriosa da solidariedade.

Dai-vos as mãos!

Que as diferenças opinativas sejam limadas e os ideais de concordância sejam praticados. Que, quaisquer pontos de objeção tornem‑se secundários diante das metas a alcançar.

Sabemos das vossas dores, porque também passamos pela Terra e compreendemos que a névoa da matéria empana o discernimento e, muitas vezes, dificulta a lógica necessária para a ação correta. Mas ficais atentos: tendes compromissos com Jesus...

Não é a primeira vez que vos comprometestes enganando, enganado-vos. Mas esta é a oportunidade final, optativa para a glória da imortalidade ou para a anestesia da ilusão.

Ser espírita é encontrar o tesouro da sabedoria.

Reconhecemos que na luta cotidiana, na disputa social e econômica, financeira e humana do ganha-pão, esvai-se o entusiasmo, diminui a alegria do serviço, mas se permanecerdes fiéis, orando com as antenas direcionadas ao Pai Todo-Amor, não vos faltarão a inspiração, o apoio, as forças morais para vos defenderdes das agressões do mal que muitas vezes vos alcança.

Tende coragem, meus filhos, unidos, porque somos os trabalhadores da última hora, e o nosso será o salário igual ao do jornaleiro do primeiro momento.

Cantemos a alegria de servir e, ao sairmos daqui, levemos impresso no relicário da alma tudo aquilo que ocorreu em nossa reunião de santas intenções: as dores mais variadas, os rebeldes, os ignorantes, os aflitos, os infelizes, e também a palavra gentil dos amigos que velam por todos nós.

Confiando em nosso Senhor Jesus Cristo, que nos delegou a honra de falar em Seu nome, e em Seu nome ensinar, curar, levantar o ânimo e construir um mundo novo, rogamos a Ele, nosso divino Benfeitor, que a todos nos abençoe e nos dê a Sua paz.

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra.\"

Mensagem psicofônica de Bezerra de Menezes (espírito) transmitida por Divaldo Franco

(13.11.2010 – Los Angeles)

De: Manoel
Para: irmãos
E-mail: mmonteiro@gmail.com
Data: 09/04/16 12:30

ESTUDO SOBRE A NATUREZA DE JESUS

Obras Póstumas, de Allan Kardec

I - Fonte das provas da natureza do Cristo

A questão da natureza do Cristo foi debatida desde os primeiros séculos do Cristianismo, e pode-se dizer que não está ainda resolvida, uma vez que ainda é discutida em nossos dias. Foi a diferença de opinião sobre este ponto, que deu nascimento à maioria das seitas que dividiram a Igreja há dezoito séculos, e é notável que todos os chefes dessas seitas foram bispos ou membros do clero com diversos títulos. Por consegüinte, eram homens esclarecidos, a maioria escritores de talento, nutridos na ciência teosófica, que não achavam concludentes as razões evocadas em favor do dogma da divindade do Cristo; não obstante, então como hoje, as opiniões se formaram sobre abstrações, mais do que sobre fatos, procurou-se, sobretudo, o que o dogma poderia ter de plausível ou de irracional, e, geralmente, se negligenciou, de parte a parte, em fazer ressaltar os fatos que poderiam lançar, sobre a questão, uma luz decisiva.

Mas onde encontrar esses fatos se isso não for nos atos e nas palavras de Jesus?

Jesus, nada tendo escrito, seus únicos historiadores foram os apóstolos que, eles não mais, nada escreveram quando vivos; não tendo nenhuma história profana contemporânea falado dele, não existe sobre a sua vida e a sua doutrina, nenhum outro documento senão os Evangelhos; portanto, é ali somente que é necessário procurar a chave do problema. Todos os escritos posteriores, sem disso excetuar os de São Paulo, não são, e não podem ser, senão comentários ou apreciações, reflexo de opiniões pessoais, freqüentemente contraditórias, que não poderiam, em nenhum caso, ter a autoridade do relato daqueles que receberam as instruções diretamente do Mestre.

Sobre essa questão, como sobre as de todos os dogmas em geral, o acordo dos Pais da Igreja, e outros escritores sacros, não poderia ser evocado como argumento preponderante, nem como uma prova irrecusável em favor de sua opinião, tendo em vista que nenhum deles pôde citar um único fato, fora do Evangelho, concernente a Jesus, nenhum deles descobriu documentos novos desconhecidos de seus predecessores.

Os autores sacros não puderam senão voltar sobre o mesmo círculo, dar a sua apreciação pessoal, tirar conseqüências de seu ponto de vista, comentar sob novas formas, e com mais ou menos desenvolvimento, as opiniões contraditórias. Todos os do mesmo partido deveram escrever no mesmo sentido, se não nos mesmos termos, sob pena de serem declarados heréticos, como o foram Orígenes e tantos outros. Naturalmente, a Igreja não colocou, entre seus Pais, senão os escritores ortodoxos do seu ponto de vista; ela não exaltou, santificou e colecionou senão aqueles que tomaram a sua defesa, ao passo que rejeitou os outros e destruiu os seus escritos tanto quanto possível. O acordo entre os Pais da Igreja, portanto, nada tem de concludente, uma vez que é uma unanimidade de escolha formada pela eliminação dos elementos contrários. Se se leva em consideração tudo o que foi escrito pró e contra, não se sabe muito de que lado penderia a balança.

Isso nada tira ao mérito pessoal dos sustentadores da ortodoxia, nem ao seu valor como escritores e homens conscienciosos; foram os advogados de uma mesma causa, que defenderam com incontestável talento, e deveriam, forçosamente, chegar às mesmas conclusões. Longe de querer denegri-los, em que quer que seja, quisemos simplesmente refutar o valor das conseqüências que se pretende tirar de seu acordo.

No exame que vamos fazer, da questão da divindade do Cristo, pondo de lado as sutilezas da escolástica que não serviram senão para embrulhar em lugar de elucidar, nos apoiaremos exclusivamente sobre os fatos que ressaltam do texto do Evangelho, e que, examinados friamente, conscienciosamente, sem idéia preconcebida, fornecem superabundantemente todos os meios de convicção que se possam desejar. Ora, entre esses fatos, não há de mais preponderante, nem de mais concludentes, senão as palavras mesmas do Cristo, palavras que não se saberia recusar sem infirmar a veracidade dos apóstolos. Pode-se interpretar de diferentes maneiras uma palavra, uma alegoria; mas afirmações precisas, sem ambigüidade, cem vezes repetidas, não poderiam ter um duplo sentido. Nenhum outro, senão Jesus, pode pretender saber melhor do que ele o que quis dizer, como ninguém pode pretender estar melhor informado do que ele sobre a sua própria natureza: quando ele comenta as suas palavras, e as explica, para evitar todo equívoco, deve-se confiar nele, a menos lhe neguemos a superioridade que se lhe atribui, e substituamos a sua própria inteligência. Se foi obscuro em certos pontos, quando se serviu de linguagem figurada, sobre o que toca à sua pessoa não há equívoco possível. Antes do exame das palavras, vejamos os atos.

II. - A divindade do Cristo está provada pelos milagres?

Segundo a Igreja, a divindade do Cristo está estabelecida, principalmente pelos milagres, como testemunho de um poder sobrenatural. Esta consideração pôde ter um certo peso numa época em que o maravilhoso era aceito sem exame; mas hoje, que a ciência levou as suas investigações até as leis da Natureza, os milagres encontram mais incrédulos do que crentes; e o que não contribuiu pouco para o seu descrédito, foi o abuso das imitações fraudulentas e a exploração que deles se fez. A fé nos milagres foi destruída pelo próprio uso que dela se fez; disso resultou que os do Evangelho são agora considerados, por muitas pessoas, como puramente legendários.

A Igreja, aliás, ela mesma, retira aos milagres toda a sua importância, como prova da divindade do Cristo, declarando que o demônio também pode fazê-los tão prodigiosos quanto ele: porque se o demônio tem um tal poder, fica evidente que os fatos desse gênero não têm, de nenhum modo, um caráter exclusivamente divino; se ele pode fazer coisas admiráveis para seduzir mesmo os eleitos, como simples mortais poderiam distinguir os bons milagres dos maus, e não há a temer que, vendo fatos similares, não confundam Deus e Satanás?

Dar a Jesus um tal rival em habilidade era uma grande falta de jeito; mas, pelo que respeita a contradições e inconseqüências, não eram olhadas de tão perto em uma época em que os fiéis ter-se-iam feito um caso de consciência em pensar por eles mesmos, e de discutir o menor artigo imposto à sua crença; então, não se contava com o progresso e não se pensava que o reino da fé cega e ingênua, reino cômodo como o do bel prazer, pudesse ter um termo. O papel, tão preponderante que a Igreja se obstinou em dar ao demônio, teve conseqüências desastrosas para a fé, à medida que os homens se sentiram capazes de ver pelos próprios olhos. O demônio, que se explorou com sucesso durante um tempo, tornou-se o machado posto ao velho edifício das crenças, e uma das principais causas da incredulidade; pode-se dizer que a Igreja, se fazendo dele um auxiliar indispensável, alimentou em seu seio aquele que deveria virar-se contra ela e miná-la em seus fundamentos.

Uma outra consideração não menos grave, é que os fatos miraculosos não são o privilégio exclusivo da religião cristã: não há, com efeito, uma religião idólatra ou pagã, que não teve os seus milagres, tão maravilhosos e tão autênticos, para os adeptos, quanto os do cristianismo. A Igreja se tirou o direito de constatá-los, atribuindo às potências infernais o poder de produzi-los.

O caráter essencial do milagre, no sentido teológico, é ser uma exceção nas leis da Natureza, e, por consegüinte, inexplicável por essas mesmas leis. Desde o instante que um fato pode se explicar, e que se ligue a uma causa conhecida, cessa de ser milagre. Assim é que as descobertas da ciência fizeram entrar no domínio do natural, certos efeitos qualificados de prodígios enquanto a causa ficou ignorada. Mais tarde, o conhecimento do princípio espiritual, da ação dos fluidos sobre a economia, do mundo invisível no meio do qual vivemos, das faculdades da alma, da existência e das propriedades do perispírito, deu a chave dos fenômenos de ordem psíquica, e provou que não são, não mais do que os outros, derrogações às leis da Natureza, mas que, ao contrário, delas são aplicações freqüentes. Todos os efeitos de magnetismo, de sonambulismo, de êxtase, de dupla vista, de hipnotismo, de catalepsia, de anestesia, de transmissão do pensamento, de presciência, de curas instantâneas, de possessões, de obsessões, de aparições e de transfigurações, etc., que constituem a quase totalidade dos milagres do Evangelho, pertencem a essa categoria de fenômenos.

Sabe-se agora que esses efeitos são o resultado de aptidões e de disposições fisiológicas especiais; que se produziram em todos os tempos, entre todos os povos, e puderam ser considerados como sobrenaturais sob o mesmo título de todos aqueles cuja causa era incompreendida. Isso explica por que todas as religiões tiveram os seus milagres, que não são outros senão os fatos naturais, mas quase sempre amplificados ao absurdo pela credulidade, a ignorância e a superstição, e que os conhecimentos atuais reduziram ao seu justo valor, permitindo levá-los em conta de lenda.

A possibilidade da maioria dos fatos que o Evangelho cita como tendo sido realizados por Jesus, está hoje completamente demonstrada pelo Magnetismo e pelo Espiritismo, enquanto fenômenos naturais. Uma vez que se produzem sob os nossos olhos, seja espontaneamente, seja por provocação, não há nada de anormal em que Jesus possuísse faculdades idênticas às de nossos magnetizadores, curadores, sonâmbulos, videntes, médiuns, etc. Desde o instante que essas mesmas faculdades se encontram, em diferentes graus, numa multidão de indivíduos que nada têm de divino, que são encontradas mesmo entre os heréticos e os idólatras, elas não implicam, em nada, uma natureza sobre-humana.

Se Jesus qualificava, ele mesmo, os seus atos de milagres, é que nisso, como em muitas outras coisas, devia apropriar a sua linguagem aos conhecimentos de seus contemporâneos; como estes poderiam aprender uma nuança de palavra que não é ainda compreendida por todo o mundo? Para o vulgo, as coisas extraordinárias que ele fazia, e que pareciam sobrenaturais, naquele tempo e mesmo muito mais tarde, eram milagres; não podia dar-lhe um outro nome. Um fato digno de nota é que deles se serviu para afirmar a missão que tinha de Deus, segundo as suas próprias expressões, mas disso jamais se prevaleceu para se atribuir o poder divino (1).

(1) Para o desenvolvimento completo da questão dos milagres, ver A Gênese segundo o Espiritismo, capítulos XIII e seguintes, onde são explicados, pelas leis naturais, todos os milagres do Evangelho.

É necessário, pois, riscar os milagres das provas sobre as quais se pretende fundar a divindade da pessoa do Cristo; vejamos agora se as encontramos em suas palavras.

III. - Divindade de Jesus está provada pelas suas palavras?

Dirigindo-se aos discípulos, que entraram em disputa, para saber qual dentre eles era o maior; e lhes disse pegando uma criança e colocando-a junto a si:

\"Quem me recebe, recebe aquele que me enviou; porque aquele que é o menor entre vós, é o maior.\" (São Lucas, cap. IX, v. 48.)

\"Quem recebe em meu nome uma criancinha como esta, me recebe, e quem me recebe, não recebe só a mim, mas recebe aquele que me enviou.\" (São Marcos, cap. IX, v. 36.)

\"Jesus lhes disse, pois: \"Se Deus fosse o vosso Pai, me amaríeis, porque foi de Deus que eu saí, e que é de sua parte que vim; porque não vim por mim mesmo, mas foi ele quem me enviou.\" (São João, cap. VIII, v. 42.)

\"Jesus lhes disse, pois: \"Estou ainda convosco por um pouco de tempo, e em seguida vou para aquele que me enviou.\" (São João, cap. VII, v. 33.)

\"Aquele que vos escuta me escuta; aquele que vos despreza me despreza, e quem me despreza, despreza aquele que me enviou.\" (São João, cap. X, v. 16.)

O dogma da divindade de Jesus está fundado sobre a igualdade absoluta entre a sua pessoa e Deus, uma vez que é o próprio Deus: é um artigo de fé; ora, estas palavras, tão freqüentemente repetidas por Jesus: Aquele que me enviou, testemunham não somente quanto a dualidade das pessoas, mas, ainda, como dissemos, excluem a igualdade absoluta entre elas; porque aquele que é enviado, necessariamente, está subordinado àquele que envia; obedecendo, faz ato de submissão. Um embaixador, falando de seu soberano, dirá: Meu senhor, aquele que me enviou; mas se é o soberano em pessoa que vem, ele falará em seu próprio nome e não dirá: Aquele que me enviou, porque não se pode enviar a si mesmo. Jesus o disse, em termos categóricos por estas palavras: eu não vim por mim mesmo, mas foi ele quem me enviou.

Estas palavras: Aquele que me despreza, despreza aquele que me enviou, não implicam, de nenhum modo, a igualdade e ainda menos a identidade; em todos os tempos, o insulto feito a um embaixador era considerado como feito ao próprio soberano. Os apóstolos tinham a palavra de Jesus, como Jesus tinha a de Deus; quando lhes disse: Aquele que vos escuta me escuta, não entendia dizer que seus apóstolos e ele não faziam senão uma única e mesma pessoa, igual em todas as coisas.

A dualidade de pessoas, assim como o estado secundário e subordinado de Jesus, com relação a Deus, ressaltam, além disso, sem equívoco, das passagens seguintes:

\"Fostes vós que permanecestes sempre firmes comigo nas minhas tentações. – Por isso eu vos preparo o Reino, como meu pai mo preparou, – a fim de que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e que vos senteis sobre os tronos para julgar as doze tribos de Israel.\" (São Lucas, cap. XXII, v. 28, 29 e 30.)

\"Por mim eu digo o que vi na casa de meu Pai, fazeis vós o que vistes na casa de vosso pai.\" (São João, cap. VIII, v. 38.)

\"Ao mesmo tempo apareceu uma nuvem que os cobriu, e saiu dessa nuvem uma voz que fez ouvir estas palavras: Este é meu filho bem-amado; escutai-o.\" (Transfigur. São Marcos, cap. IX, v. 6.)

\"Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á sobre o trono de sua glória; – e todas as nações estando reunidas, separará umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos bodes, – e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. – Então, o Rei dirá àqueles que estarão à sua direita: Vinde, vós que fostes abençoados por meu Pai, possuir o reino que vos foi preparado desde o começo do mundo.\" (São Mateus, cap. XXV, v. 31 a 34.)

\"Quem me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu o reconhecerei e o confessarei também diante de meu pai que está nos céus; – e quem me renunciar diante dos homens, eu o renunciarei também, eu mesmo, diante de meu pai que está nos céus.\" (São Mateus, cap. X, v. 32, 33.)

\"Ora, eu vos declaro que quem me confessar e me reconhecer diante dos homens, o filho do homem o reconhecerá também diante dos anjos de Deus; mas se alguém me renunciar diante dos homens, eu o renunciarei também diante dos anjos de Deus.\" (São Lucas, cap. XII, v. 8, 9.)

\"Mas se alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras, o filho do homem se envergonhará também dele, quando vier em sua glória e na de seu pai e dos santos anjos.\" (São Lucas, cap. IX, v. 26.)

Nestas duas últimas passagens, Jesus parecia mesmo colocar acima dele os santos anjos, compondo o tribunal celeste, diante do qual seria o defensor dos bons e o acusador dos maus.

\"Mas por aquilo que é de estar sentado à minha direita ou à minha esquerda, não é a mim, de nenhum modo, que cabe vo-lo dar, mas será por aquele a quem meu Pai preparou.\" (São Mateus, cap. XX, v. 23.)

\"Ora, os Fariseus estando reunidos, Jesus lhes fez esta pergunta – e lhes disse: \"Que vos parece do Cristo? De quem é filho? Eles lhe responderam: De David. – E como, pois, lhes disse, David chama-o em espírito o seu Senhor com estas palavras: O Senhor disse ao meu Senhor: Sentai-vos à minha direita até que reduza os vossos inimigos a vos servir de escabelo? Se, pois, David chama-o seu Senhor, como é seu filho? \"(São Mateus, cap. XXII, v. 41 a 45.)

\"Mas Jesus, ensinando no templo, lhes disse: Como os escribas dizem que o Cristo é o filho de David, – uma vez que David, ele mesmo, disse ao meu Senhor: Sentai-vos à minha direita até que haja reduzido vossos inimigos a vos servir de escabelo? – Depois, portanto, que David o chama, ele mesmo, seu senhor, como é seu filho? \"(São Marcos, cap. XII, v. 35, 36, 37. – São Lucas, cap. XX, v. 41 a 44.)

Jesus consagra, com estas palavras, o princípio da diferença hierárquica que existe entre o Pai e o Filho. Jesus podia ser o filho de David por filiação corpórea, e como descendente de sua raça, foi porque teve o cuidado de ajuntar: \"Como o chama em espírito, seu senhor? \" Se há uma diferença hierárquica entre o pai e o filho; Jesus, como filho de Deus, não pode ser o igual de Deus.

Jesus confirma essa interpretação e reconhece sua inferioridade em relação a Deus, em termos que não deixam equívoco possível:

\"Ouvistes o que vos disse:\" Eu me vou, e volto a vós. Se me amais, vos alegrareis de que vou para meu Pai, porque meu Pai É MAIOR DO QUE EU.\" (São João, cap. XIV, v. 28).

\"Então um jovem se aproxima e lhe diz: Bom mestre, que bem é necessário que eu faça para adquirir a vida eterna? – Jesus lhe respondeu: \"Por que me chamais bom? Não há senão Deus que seja bom. Se quereis entrar na vida, guardai os mandamentos.\" (São Mateus, cap. XIX, v. 16, 17. – São Marcos, cap. X, v. 17, 18, – São Lucas, cap. XVIII, v. 18, 19.)

Não somente Jesus não se deu, em nenhuma circunstância, por ser o igual de Deus, mas aqui ele afirma positivamente o contrário, considera-se como inferior em bondade; ora, declarar que Deus está acima dele pelo poder e suas qualidades morais, é dizer que ele mesmo não é Deus. As passagens seguintes vêm em apoio destas, e são também explícitas.

\"Não falei, de nenhum modo, de mim mesmo; mas meu Pai, que me enviou, foi quem me prescreveu, por seu poder, o que devo dizer, e como devo falar; – e eu sei que o seu poder é a vida eterna; o que eu digo, pois, o digo segundo o que meu Pai mo ordenou.\" (São João, cap. XII, v. 49, 50.)

\"Jesus lhes respondeu: \"Minha doutrina não é minha doutrina, mas a doutrina daquele que me enviou. – Se alguém quer fazer a vontade de Deus, reconhecerá se a minha doutrina é dele, ou se falo de mim mesmo. – Aquele que fala de seu próprio movimento procura sua própria glória, mas aquele que procura a glória de quem o enviou é verídico, e nele, de nenhum modo, há injustiça.\" (São João, cap. VII, v. 16, 17, 18.)

\"Aquele que não me ama nada, não guarda, minha palavra; e a palavra que ouvistes não foi a minha palavra em nada, mas a de meu Pai que me enviou.’ (São João, cap. XIV, v. 24.)

\"Não credes que estou em meu Pai e que meu Pai está em mim? O que vos digo, não vo-lo digo por mim mesmo; mas meu Pai, que mora em mim faz, ele mesmo, as obras que eu faço.\" (São João, cap. XIV, v. 10.)

\"O céu e a Terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. – Pelo que é do dia e da hora, o homem não o saiba, não, nem mesmo os anjos que estão no céu, nem mesmo o Filho, mas somente o Pai. \"(São Marcos, cap. XIII. v. 32. – São Mateus, cap. XXIV v. 35, 36.) .

\"Jesus lhes disse, pois: \"Quando houverdes levantado ao alto o filho do homem, então conhecereis o que sou, porque eu não faço nada de mim mesmo, não digo senão o que meu Pai me ensinou; e aquele que me enviou está comigo, e de modo nenhum me deixou só, porque faço sempre o que lhe é agradável.\" (São João, cap. VIII, v. 28, 29.)

\"Desci do céu não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou.\" (São João, cap. VI, v. 38.)

Não posso nada fazer de mim mesmo. Julgo segundo o que entendo, e meu julgamento é justo porque não procuro minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.\" (São João, cap. V, v. 30.)

\"Mas, por mim, tenho um testemunho maior do que o de João, porque as obras que meu Pai me deu o poder de fazer, as obras, digo eu, que faço, dão testemunho de mim, que foi meu Pai que me enviou.\" (São João, cap. V, v. 36.)

\"Mas agora procurais me fazer morrer, eu que vos disse a verdade que aprendi de Deus, foi o que Abraão nunca fez.\" (São João, cap. VIII, v. 40.)

Desde então, que ele não disse nada de si mesmo; que a doutrina que ensinou não é a sua, mas que a tem de Deus, que lhe ordenou vir fazê-la conhecer; que não faz senão o que Deus lhe deu o poder de fazer; que a verdade que ensina, ele aprendeu de Deus, à vontade de quem está submetido; é que não é o próprio Deus, mas seu enviado, seu messias e seu subordinado.

É impossível recusar, de maneira mais positiva, toda assimilação à pessoa de Deus, e de determinar seu principal papel em termos mais precisos. Não estão aí pensamentos ocultos sob o véu da alegoria, e que não se descobrem senão à força de interpretação: é o sentido próprio, expresso sem ambigüidade.

Se se objetasse que Deus, não querendo se fazer conhecer na pessoa de Jesus, enganasse sobre a sua individualidade, poder-se-ia perguntar sobre o quê está fundada essa opinião, e quem tem autoridade para sondar o fundo de seu pensamento, e dar, às suas palavras, um sentido contrário àquele que elas exprimem? Uma vez que, quando vivo, ninguém o considerava como Deus, mas era olhado, ao contrário, como um messias, se não quisesse ser conhecido pelo que era, bastar-lhe-ia nada dizer; de sua afirmação espontânea é preciso concluir que ele não era Deus, ou que, se o era, voluntariamente e sem utilidade, disse uma coisa falsa.

É de notar-se que São João, aquele dos Evangelistas sobre a autoridade de quem mais se apoiou para estabelecer o dogma da divindade do Cristo, seja precisamente o que encerra os argumentos contrários mais numerosos e os mais positivos; pode-se disso convencer pela leitura das passagens seguintes, que não acrescentam nada, é verdade, às provas já citadas, mas vêm em seu apoio, porque delas ressaltam evidentemente a dualidade e a desigualdade das pessoas.

\"Por causa disso, os Judeus perseguiam Jesus e procuravam fazê-lo morrer, porque fizera essas coisas no Sábado. – Mas Jesus lhes disse: Meu pai age até o presente, e eu ajo também. (São João, cap. V, v. 16, 17.)

\"Porque o Pai não julga ninguém; mas dá todo poder de julgar ao Filho, – a fim de que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Aquele que não honra em nada o Filho, não honra em nada o Pai que o enviou.

Em verdade, em verdade vos digo, aquele que ouve a minha palavra, e que crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não cai, na condenação; mas já passou da morte à vida.\"

\"Em verdade, em verdade vos digo, a hora vem, e ela já veio, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e aqueles que ouvirão, viverão; porque como o Pai tem a vida em si mesmo, também deu ao Filho ter a vida nele mesmo, – e lhe deu o poder de julgar, porque é o Filho do homem. \"(São João, cap. V, v. 22 a 27.)

\"E o Pai que me enviou, ele mesmo, tem dado testemunho de mim. Jamais ouvistes a sua voz, nem vistes a sua face. E sua palavra não permanecerá em vós, porque não credes naquele que ele enviou.\" (São João, cap. V, v. 37,38.)

\"E quando eu julgar, o meu julgamento será digno de fé, porque não estou só; mas meu Pai, que me enviou, está comigo.\" (São João, cap. VIII, v. 16.)

Jesus, tendo dito essas coisas, levou os olhos ao céu e disse: \"Meu Pai, a hora é chegada; glorificai vosso Filho, a fim de que vosso Filho vos glorifique. – Como lhe deste poder sobre todos os homens, a fim de que dê a vida eterna a todos aqueles que lhe destes. – Ora, a vida eterna consiste em vos conhecer, a vós que sois O ÚNICO DEUS verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviastes.

\"Eu vos glorifiquei sobre a Terra; acabei a obra da qual me encarregastes. – E vós, meu Pai, glorificai-me, pois, agora em vós mesmos, dessa glória que tive em vós antes que o mundo fosse.

\"Logo eu não estarei mais no mundo; mas, por eles, estão ainda no mundo, e eu dele retorno a vós. Pai santo, conservai em vosso nome aqueles que me destes, a fim de que sejam um como nós.\"

\"Eu lhes dei vossa palavra, e o mundo os odiou, porque não são em nada do mundo, como eu, não sou, eu mesmo, do mundo.\"

\"Santificai-os na verdade. A vossa palavra é a própria verdade. – Assim como vós me enviastes ao mundo, eu também os enviei ao mundo, – e eu me santifico, a mim mesmo, por eles, a fim de que sejam também santificados na verdade. \"

\"Eu não peço por eles somente, mas ainda por aqueles que devem crer em mim pela sua palavra; – a fim de que estejam todos juntos, como vós, meu Pai, estais em mim e eu em vós; que eles, sejam do mesmo modo, um em nós, a fim de que o mundo creia que me enviastes.\"

\"Meu Pai, desejo que lá onde estou, aqueles que me destes ali estejam também comigo; a fim de que contemplem minha glória, que me destes, porque me amastes antes da criação do mundo.\"

\"Pai justo, o mundo em nada vos conheceu; mas eu, eu vos conheci: e estes conheceram que me enviastes. – Eu lhes fiz conhecer vosso nome e o farei conhecer ainda, a fim de que o amor, com o qual me amastes, esteja neles, e que eu próprio o esteja neles.\" (São João, cap. XVII, v. 1 a 5, 11 a 14, de 17 a 26, Prece de Jesus.)

\"É por isso que meu Pai me ama, porque deixo a minha vida para retomá-la. – Ninguém ma arrebata, mas sou eu que a deixo por mim mesmo; tenho o poder de deixá-la e tenho o poder de retomá-la. É o poder que recebi de meu Pai.\" (São João, cap. X, v. 17, 18.)

\"Eles tiraram a pedra, e Jesus, levantando os olhos para o alto, disse estas palavras: Meu Pai, eu vos dou graça pelo que me atendestes. – Por mim, sabia que me atenderíeis sempre; mas digo isso para esse povo que me cerca, a fim de que creia que foi vós que me enviastes.\" (Morte de Lázaro, São João, cap. XI, v. 41, 42.)

\"Eu não vos falarei muito mais, porque o príncipe deste mundo vai chegar, embora não tenha nada em mim que lhe pertença: mas a fim de que o mundo conheça que amo meu Pai, e que faço o que meu Pai me ordenou.\" (São João, cap. XIV, v. 30 e 31.)

\"Se guardardes meus mandamentos, permanecereis no meu amor, como eu mesmo guardei os mandamentos de meu Pai, e permaneço em seu amor.\" (São João, cap. XV, v. 10.)

\"Então Jesus, lançando uma grande exclamação, disse: Meu Pai, reponho minha alma em vossas mãos. E, pronunciando estas palavras, expirou.\" (São Lucas, cap. XXIII, v. 46.)

Uma vez que Jesus, ao morrer, repunha a sua alma entre as mãos de Deus, tinha, portanto, uma alma distinta de Deus, submissa a Deus, portanto, não era o próprio Deus.

As palavras seguintes dão testemunho de uma certa fraqueza humana, de uma aprensão da morte e dos sofrimentos que Jesus vai suportar, e que contrasta com a natureza, essencialmente divina, que se lhe atribui; mas elas testemunham, ao mesmo tempo, uma submissão que é a do inferior ao superior.

\"Então, Jesus chegou num lugar chamado Getsêmani; e disse aos seus discípulos: Sentai-vos aqui enquanto vou ali para orar. – E tendo tomado consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a se entristecer e a estar numa grande aflição. Então, lhes disse: Minha alma está triste até à morte; permanecei aqui e velai comigo. – e indo um pouco mais longe, se prosternou o rosto contra a terra, pedindo e dizendo: Meu Pai, se for possível, faça com que este cálice se afaste de mim; não obstante, que isso seja não como eu o quero, mas como o quereis. – Veio em seguida para os seus discípulos, e tendo-os encontrado dormindo, disse a Pedro: O quê! Não pudestes velar uma meia hora comigo? – Velai e orai, a fim de que não cairdes, na tentação. O Espírito está pronto, mas a carne é fraca. – Foi-se ainda orar uma segunda vez, dizendo: \"Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, que a vossa vontade seja feita.\" (Jesus no Jardim das Oliveiras. (São Mateus, cap. XXVI, v. de 36 a 42.)

\"Então, lhes disse: Minha alma está triste até à morte; permanecei aqui e velai. – E, tendo ido um pouco mais longe, se prosternou contra a terra, pedindo que, se fosse possível, essa hora se afastasse dele. – E dizia: Abba, meu Pai, tudo vos é possível, transportai este cálice para longe de mim; contudo, que a vossa vontade seja feita e não a minha.\" (São Marcos, cap. XIV, v. 34, 35, 36.)

\"Quando chegou naquele lugar, lhes disse: Orai a fim de que não sucumbais em nada à tentação. – E estando longe deles em torno de um lanço de pedra, pôs-se de joelhos, dizendo: Meu Pai, se quereis, afastai este cálice de mim; contudo, que isso não seja minha vontade que se faça, mas a vossa. – Então apareceu-lhe um anjo do céu que veio fortificá-lo. – E, tendo caído em agonia, redobrou as suas preces. – E lhe veio um suor de gotas de sangue que corria até a terra.\" (São Lucas, cap. XXII, v. de 40 a 44.)

E na nona hora, Jesus lançou um grande grito, dizendo: Eli! Eli! Lamma Sabachthani? quer dizer: meu Deus! meu Deus! por que me abandonastes? (São Mateus, cap. XXVII, v. 46.)

\"E na nona hora, Jesus lançou um grande grito, dizendo: Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonastes?\" (São Marcos, cap. XX, v. 34.)

As palavras seguintes poderiam deixar alguma incerteza e dar lugar a crer numa identificação de Deus com a pessoa de Jesus; mas, além de que não poderia prevalecer sobre os termos precisos daquelas que precedem, levam ainda, nelas mesmas, a sua própria retificação.

\"Eles lhe disseram: Que sois vós, pois? Jesus lhes respondeu: eu sou o princípio de todas as coisas, eu mesmo que vos falo. – Tenho muitas coisas a dizer de vós; mas aquele que me enviou é verdadeiro, e não digo senão o que aprendi com ele.\" (São João, cap. VII, v. 25, 26.)

\"O que meu Pai me deu é maior do que todas as coisas; e ninguém pode arrebatá-lo da mão de meu Pai. Meu Pai e eu somos uma mesma coisa. \"

Quer dizer, que seu pai e ele não são senão um pelo pensamento, uma vez que exprime o pensamento de Deus; que ele tem a palavra de Deus.

\"Então, os judeus pegaram pedras para lapidá-lo. – e Jesus lhes disse: Fiz, diante de vós, várias boas obras pelo poder de meu Pai: por qual delas é que me lapidais? – Os judeus lhe responderam: Não é por nenhuma boa obra que vos lapidamos, mas por causa de vossa blasfêmia e porque, sendo homem, vos fazeis Deus. – Jesus lhes replicou: Não está escrito na vossa lei: Eu disse que sois deuses? – Se, pois, ela chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus está dirigida, e que as Escrituras não possam ser destruidas, – por que dizeis que blasfemo, eu que meu Pai santificou e enviou no mundo, porque eu disse que sou filho de Deus? – Se não faço as obras de meu Pai, não me creiais; mas se as faço, quando não queirais crer em mim, crede nas minhas obras, a fim de que conheçais e creiais que meu Pai está em mim, e eu em meu Pai.\" (São João, cap. X, v. 29 a 38.)

Num outro capítulo, dirigindo-se aos seus discípulos, lhes disse:

\"Naquele dia, conhecereis que estou em meu Pai e vós em mim, e eu em vós.\" (São João, cap. XIV, v. 20.)

Dessas palavras, não é preciso concluir que Deus e Jesus não fazem senão um, de outro modo seria preciso concluir também, das mesmas palavras, que os apóstolos não fazem, igualmente, senão um com Deus.

IV. Palavras de Jesus depois de sua morte

\"Jesus lhes respondeu: Não me toqueis, porque ainda não subi para o meu Pai; mas ide procurar os meus irmãos e lhes dizei, de minha parte: Eu subi para o meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.\" (Aparição a Maria Madalena. São João, cap. XX, v. 17.)

\"Mas Jesus, aproximando-se, assim lhes falou: Todo poder me foi dado no céu e sobre a Terra.\" (Aparição aos Apóstolos. São Mateus, cap. XXVIII, v. 18.)

\"Ora, sois testemunhas destas coisas; – E eu vou enviar-vos o dom de meu Pai que vos foi prometido.\" (Aparição aos Apóstolos. São Lucas, cap. XXIV, v. 48, 49.)

Tudo acusa, pois, nas palavras de Jesus, seja quando vivo, seja depois de sua morte, uma dualidade de pessoas perfeitamente distintas, assim como o profundo sentimento de sua inferioridade e de sua subordinação com relação ao Ser supremo. Por sua insistência ao afirmar espontaneamente, sem ser a isso constrangido, nem provocado, por quem quer que seja, parece querer protestar de antemão contra o papel que ele previa que se lhe seria atribuído um dia. Se tivesse guardado silêncio sobre o caráter de sua personalidade, o campo estaria aberto para todas as superstições como a todos os sistemas; mas a precisão de sua linguagem afasta toda incerteza.

Que autoridade maior se pode encontrar do que as próprias palavras de Jesus? Quando diz, categoricamente: sou ou não sou tal coisa, quem ousaria se arrogar o direito de dar-lhe um desmentido, fosse isso para colocá-lo mais alto do que ele mesmo não se coloca? Quem é que, razoavelmente, pode pretender estar mais esclarecido do que ele sobre a sua própria natureza? Que interpretações podem prevalecer contra afirmações tão formais e tão multiplicadas como estas:

\"Não vim por mim mesmo, mas aquele que me enviou é o único Deus verdadeiro. – É de sua parte que venho. – Eu digo o que vi na casa de meu Pai. – Não cabe a mim vo-lo dar, mas isso será para aqueles a quem meu Pai o preparou. – Eu me vou para meu Pai, porque meu Pai é maior do que eu. – Por que me chamais bom? Não há senão Deus que seja bom. – Não falo por mim mesmo, mas meu Pai, que me enviou, foi quem me prescreveu pelo seu mandamento, o que devo dizer. – A minha doutrina não é minha doutrina, mas a doutrina daquele que me enviou. – A palavra que ouvistes, não é a minha palavra, mas a do meu Pai que ma enviou. – Não faço nada por mim mesmo, mas não digo senão aquilo que meu Pai me ensinou. – Nada pude fazer por mim mesmo. – Eu não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. – Eu vos disse a verdade que aprendi de Deus. – Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou. – Vós sois o único Deus verdadeiro, e Jesus Cristo que enviastes. – Meu Pai, reponho a minha alma em vossas mãos. – Meu Pai, se for possível, fazei com que este cálice se afaste de mim. – Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? – Eu subo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus.\"

Quando se lê tais palavras, pergunta-se somente como pôde vir ao pensamento dar-lhes um sentido diametralmente oposto àquele que elas exprimem tão claramente, conceber uma identificação completa de natureza e de poder entre o senhor e aquele que se diz seu servidor. Nesse grande processo, que dura há quinze séculos, quais são as peças de convicção? Os Evangelhos, – não há outras, – que, sobre o ponto em litígio, não dão lugar a nenhum equívoco. A esses documentos autênticos, que não se pode contestar sem se inscrever em falso contra a veracidade dos evangelistas e do próprio Jesus, documentos estabelecidos por testemunhos oculares, que se lhes opõem? Uma doutrina teórica puramente especulativa, nascida três séculos mais tarde de uma polêmica estabelecida sobre a natureza abstrata do Verbo, vigorosamente combatida durante vários séculos, e que não prevaleceu senão pela pressão de um poder civil absoluto.

V. Dupla natureza de Jesus

Poder-se-ia objetar que, em razão da dupla natureza de Jesus, suas palavras eram a expressão de seu sentimento como homem, e não como Deus. Sem examinar, neste momento, por qual encadeamento de circunstâncias se conduziu, bem mais tarde, à hipótese dessa dupla natureza, admitamo-la, por um instante, e vejamos se, em lugar de elucidar a questão, ela não a complica mais, ao ponto de torná-la insolúvel.

O que devia ser humano em Jesus era o corpo, a parte material; deste ponto de vista compreende-se que ele haja mesmo podido sofrer como homem. O que devia ser divino nele era a alma, o Espírito, o pensamento, em uma palavra, a parte espiritual do Ser. Se sentia e sofria como homem, deveria pensar e falar como Deus. Ele falou como homem ou como Deus? Está aí uma questão importante pela autoridade excepcional de seus ensinamentos. Se falou como homem, suas palavras são discutíveis; se falou como Deus elas são indiscutíveis; é preciso aceitá-las e a elas se conformar sob pena de deserção e de heresia; o mais ortodoxo seria aquele que delas se aproximasse mais.

Dir-se-á que, sob o envoltório corpóreo, Jesus não tinha consciência de sua natureza divina? Mas, se fora assim, não teria mesmo pensado como Deus, sua natureza divina teria ficado no estado latente; só a natureza humana teria presidido à sua missão, aos seus atos morais como aos seus atos materiais. É, pois, impossível fazer abstração de sua natureza divina durante a sua vida, sem enfraquecer a sua autoridade.

Mas se falou como Deus, por que esse incessante protesto contra a sua natureza divina que, nesse caso, não podia ignorar? Estaria, pois, enganado, o que seria pouco divino, ou teria conscientemente enganado o mundo, o que o seria ainda menos. Parece-nos difícil sair desse dilema.

Admitindo-se que falou ora como homem, ora como Deus, a questão se complica, pela impossibilidade de distinguir o que vinha do homem e o que vinha de Deus.

No caso, onde haveria tido motivos para dissimular a sua verdadeira natureza durante a sua missão, o meio mais simples era dela não falar, ou se exprimir como o fez em outras circunstâncias, de maneira vaga e parabólica, sobre os pontos cujo conhecimento estava reservado para o futuro; ora, tal não é aqui o caso, uma vez que as suas palavras não têm nenhuma ambigüidade.

Enfim, se, apesar de todas essas considerações, se pudesse ainda supor que, quando vivo, ignorou a sua verdadeira natureza, essa opinião não é mais admissivel depois da sua ressurreição; porque, quando aparece aos seus discípulos, não é mais o homem que fala, é o Espírito desligado da matéria, que deve ter recobrado a plenitude de suas faculdades espirituais e a consciência de seu estado normal, de sua identificação com a divindade; e, entretanto, é então que diz: Eu subo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus!

A subordinação de Jesus é ainda indicada pela sua própria qualidade de mediador, que implica a existência de uma pessoa distinta; é ele que intercede junto de seu Pai; que se oferece em sacrifício para resgatar os pecadores; ora, se é Deus, ele mesmo, ou lhe era igual em todas as coisas, não tinha necessidade de interceder, porque não se intercede junto de si mesmo.

VI. Opinião dos Apóstolos

Até o presente, apoiamos-nos exclusivamente nas próprias palavras do Cristo, como o único elemento peremptório de convicção, porque fora disso não pode haver senão opiniões pessoais.

De todas essas opiniões, as que têm mais valor, incontestavelmente, são as dos apóstolos, tendo em vista que eles o assistiram em sua missão, e que, se lhes deu instruções secretas quanto à sua natureza, delas se encontrará traços em seus escritos. Tendo vivido em sua intimidade, melhor do que quem quer que seja, deveriam conhecê-lo. Vejamos, pois, de que maneira o consideraram.

\"Ó Israelitas, escutai as palavras que vou vos dizer: Sabeis que Jesus de Nazaré foi um homem que Deus tornou célebre entre vós pelas maravilhas, pelos prodígios e pelos milagres que fez por ele no vosso meio. – Entretanto, o crucificastes, e o fizestes morrer pelas mãos dos maus, tendo-o entregue por uma ordem expressa da vontade de Deus e por um decreto de sua presciência. – Mas Deus o ressuscitou, parando as dores do inferno, sendo impossível que ali fosse retido. – Porque Davi disse em seu nome: Tenho sempre o Senhor presente diante de mim, porque ele está à minha direita, a fim de que eu não seja abalado. – É por isso que o meu coração está alegre, que a minha língua cantou cânticos de alegria, e que mesmo a minha carne repousará em esperança; – porque não deixareis, minha alma no inferno, e que não permitis nunca que vosso Santo sofra a corrupção. – Vós me fizestes conhecer o caminho da vida, e me enchereis com a alegria que dá a visão do vosso rosto.\" (Atos dos Apóstolos, cap. II, v. 22 a 28. Pregação de São Pedro.)

\"Depois, portanto, que foi elevado pelo poder de Deus, e que recebeu o cumprimento da promessa de que o Pai lhe enviara o Santo Espírito, ele difundiu esse Espírito Santo que vedes e entendeis agora; – porque Davi nunca subiu ao céu; – ora, ele mesmo disse: O Senhor disse ao meu Senhor: Sentai-vos à minha direita, até que eu haja reduzido os vossos inimigos a vos servir de escabelo. – Que toda a casa de Israel saiba, pois, muito certamente que Deus fez Senhor e Cristo esse Jesus que crucificastes.\" (Atos dos Apóstolos, capítulo II, v. de 33 a 36, Pregações de São Pedro.)

\"Moisés disse aos nossos pais: O Senhor vosso Deus vos suscitará, dentre os vossos irmãos, um profeta como eu; escutai-o em tudo o que vos dirá. – Quem não escutar esse profeta será exterminado do meio do povo.

\"Foi por vós primeiramente que Deus suscitou seu filho, e vo-lo enviou para vos bendizer, a fim de que cada um se convertesse de sua má vida.\" (Atos dos Ap., cap. III, v. 22, 23, 26. Pregação de São Pedro.)

\"Nós vos declaramos, a todos vós e a todo povo de Israel, que é pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo de Nazaré, o qual haveis crucificado, e que Deus ressuscitou dentre os mortos; foi por ele que este homem está agora curado como o vedes diante de vós.\" (Atos dos Ap., cap. IV, v. 10. Pregação de São Pedro.)

\"Os reis da Terra foram levantados, os príncipes se uniram juntos contra o Senhor e contra seu Cristo. – Porque Herodes e Pôncio Pilatos, com os Gentios e o povo de Israel, verdadeiramente se puseram de acordo, nesta cidade, contra vosso santo Filho Jesus, que consagrastes pela vossa unção, para fazer tudo o que o vosso poder e o vosso conselho ordenaram dever ser feito.\" (Atos dos Ap. cap. IV, v. 26, 27, 28. Prece dos Apóstolos.)

\"Pedro e os outros apóstolos responderam: é necessário antes obedecer a Deus do que aos homens. – O Deus de nossos Pais ressuscitou Jesus que fizestes morrer dependurando-o no madeiro. – Foi ele que Deus elevou para a sua direita como sendo o príncipe e o salvador, para dar a Israel a graça da penitência e a remissão dos pecados.\" (V. Atos dos Ap., cap. V, v. 29, 30, 31. Respostas dos Apóstolos ao grande sacerdote.)

\"Foi esse Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta como eu, escutai-o.

Mas o Mais Alto não habita, nos templos feitos pela mão dos homens, segundo esta palavra do profeta: – O céu é o meu trono, e a terra é o meu escabelo. Que casa me edificareis, disse o Senhor? E qual poderia ser o lugar de meu repouso? \"(Atos dos Apóstolos, cap. VII, v. 37, 48, 49. Discurso de Estêvão.)

\"Mas Estêvão, estando cheio do Santo Espírito, e levantando os olhos aos céus, viu a glória de Deus, e Jesus que estava de pé à direita de Deus, e ele disse: Vejo abertos os céus, e o Filho do homem que está de pé à direita de Deus.

\"Então, lançando grandes gritos, e tapando os ouvidos, lançaram-se juntos sobre ele; – e tendo-o arrastado fora dos muros da cidade, lapidaram-no; e as testemunhas depuseram as sua vestes aos pés de um jovem chamado Saulo (mais tarde São Paulo). – Assim lapidaram Estêvão, e invocava Jesus, e dizia: Senhor Jesus, recebei o meu Espírito.\" (Atos dos Apóstolos, cap. VII, v. de 55 a 58. Martírio de Estêvão)

Estas citações testemunham claramente o caráter que os apóstolos atribuíam a Jesus . A idéia exclusiva que delas ressalta é a de sua subordinação a Deus, da constante supremacia de Deus, sem que nada ali revele um pensamento de assimilação qualquer de natureza e de poder. Para eles, Jesus era um homem profeta, escolhido e bendito por Deus. Não foi, pois, entre os apóstolos que a crença na divindade de Jesus nasceu. São Paulo, que não conhecera Jesus, mas que, de ardente perseguidor se tornou o mais zeloso e o mais eloqüente discípulo da fé nova, e cujos escritos prepararam os primeiros formulários da religião cristã, não é menos explícito a esse respeito. É o mesmo sentimento de dois seres distintos, e da supremacia do Pai sobre o filho.

\"Paulo, servidor de Jesus Cristo, apóstolo da vocação divina, escolhido e destinado para anunciar o evangelho de Deus, – que ele prometera antes, pelos seus profetas, nas escrituras santas, – com respeito a seu filho, que lhe nasceu, segundo a carne, do sangue e da raça de Davi; – que foi predestinado para ser filho de Deus, num soberano poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos; com respeito, disse eu, a Jesus Cristo, nosso Senhor; – por quem recebemos a graça do apostolado, para fazer obedecer, ao mesmo tempo, todas as nações pela virtude de seu nome; – na fileira das quais estais também, como sendo chamadas por Jesus Cristo; – a vós que estais em Roma, que sois queridos de Deus, e chamados para serem santos; que Deus, nosso Pai, e Jesus Cristo, nosso Senhor, vos dêem a graça e a paz.\" (Romanos, cap. I, v. 1 a 7.)

\"Assim, estando justificados pela fé, tenhamos a paz com Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.

Pois por que, quando estávamos na languidez do pecado, Jesus Cristo morreu por ímpios como nós, no tempo destinado por Deus?

Jesus Cristo não deixou de morrer por nós no tempo destinado por Deus. Assim, estando agora justificados pelo seu sangue, seremos com mais forte razão livrados por ele da cólera de Deus.

E não somente fomos reconciliados, a nós, nos glorificamos mesmo em Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor, por quem obtivemos essa reconciliação.

Se pelo pecado de um só vários morreram, a misericórdia e o dom de Deus se derramaram, com mais forte razão, abundantemente, sobre vários pela graça de um só homem, que é Jesus Cristo.\" (Romanos, cap. V, v. 1, 6, 9, 11, 15, 17.)

\"Se somos filhos, somos também herdeiros; HERDEIROS de Deus e CO-HERDEIROS de Jesus Cristo, desde que, todavia, soframos com ele.\" (Romanos, cap. VIII, v. 17.)

\"Se vos confessais de boca que Jesus Cristo é o Senhor e se credes de coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, sereis salvos.\" (Romanos, cap. X, v. 9.)

\"Em seguida virá a consumação de todas as coisas, quando terá entregue o seu reino a Deus, seu Pai, e tiver destruido todo império, toda dominação, todo poder, – porque Jesus Cristo deve reinar até que seu Pai tenha posto todos os seus inimigos sob os pés. – Ora, a morte será o último inimigo que será destruído; porque as Escrituras disseram que Deus os pôs todos sob os pés e a todos sujeitou-lhe; é indubitável que nisso é preciso excetuar aquele que sujeitou todas as coisas. – Quando, pois, todas as coisas estiverem submetidas ao Filho, quando o Filho estiver, ele mesmo, submetido a aquele que lhe terá submetido todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos.\" (1a. aos Coríntios, cap. XV, v. de 24 a 28.)

\"Mas veremos que Jesus, que se tornara, por um pouco de tempo, inferior aos anjos, foi coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu; Deus, em sua bondade, tendo querido que ele morresse por todos, – porque era bem digno de Deus, por quem e para quem são todas as coisas, que, querendo conduzir à glória vários filhos, consumou e aperfeiçoou pelo sofrimento, aquele que deveria ser o chefe e o autor de sua salvação.

\"Assim, aquele que santifica e aqueles que são santificados, vêm todos de um mesmo princípio; é por isso que não ruboriza ao chamá-los seus irmãos, – dizendo: Eu anunciarei o vosso nome aos meus irmãos; eu cantarei os vossos louvores no meio da assembléia de vosso povo. – E, alhures, porei a minha confiança em Deus. E em um outro lugar: eis-me com os filhos que Deus me deu.

\"Eis porque foi necessário que fosse em tudo semelhante aos seus irmãos, para ser para com Deus um pontífice compassivo e fiel em seu ministro, a fim de expiar os pecados do povo. – porque foi das penas e dos próprios sofrimentos, pelos quais foi tentado e provado, que tirou a virtude e a força de socorrer aqueles que, são também tentados.\" (Hebreus, cap. II, v. de 9 a 13, 17, 18.)

\"Portanto, vós meus santos irmãos, que tendes parte na vocação celeste, considerai Jesus, que é o apóstolo e o pontífice da religião que professamos; – que é fiel àquele que o estabeleceu nesse cargo, como Moisés lhe foi fiel em toda sua casa; – porque ele foi julgado digno de uma glória tanto maior do que a de Moisés, do que aquele que edificou a casa, e mais estimável do que a própria casa; porque não há casa que não haja sido construída por alguém. Ora, aquele que é o arquiteto e o criador de todas as coisas é Deus.\" (Hebreus, cap. III, v. de 1 a 4.)

VII. Predições dos profetas concernentes a Jesus

Além das afirmações de Jesus e da opinião dos apóstolos, há um testemunho do qual os mais ortodoxos dos crentes não saberiam contestar o valor, uma vez que o apontam constantemente como artigo de fé; é o do próprio Deus; quer dizer, o dos profetas, falando sob a inspiração e anunciando a vinda do Messias. Ora, eis as passagens da Bíblia consideradas como a predição desse grande acontecimento.

\"Eu o vejo, mas não agora; eu o vejo mas não de perto; uma estrela procede de Jacó, e um cetro se levanta de Israel e trespassa os chefes de Moab, e destruirá todos os filhos de Seth.\" (Números, XXIV, v. 17.)

\"Eu lhes suscitarei um profeta, como tu, de entre seus irmãos, e colocarei as minhas palavras em sua boca, e lhes dirá ele o que eu lhe tiver ordenado. E ocorrerá que, quem não escutar as palavras que dirá em meu nome, disso lhe pedirei conta.\" (Deuteronômio. XVIII, v. 18, 19.)

\"Ocorrerá, pois, quando os dias tiverem se cumprido para lá levar-te com teus pais que farei levantar a tua posteridade depois de ti, um dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino, e ele me construirá uma casa, e afirmarei seu trono para sempre. Eu lhe serei pai e ele me será filho; e não retirarei a minha misericórdia dele, como a retirei daquele que foi antes de ti, e o estabelecerei em minha casa e em meu reino para sempre, e seu trono será afirmado para sempre.\" (I, Paralipômenos, XVII, v. de 11 a 14.)

\"É porque o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis: uma virgem ficará grávida, e ela parirá um filho, e será chamado seu nome Emmanuel.\" (Isaías, VII, v. 14.)

\"Porque a criança nos nasceu, o Filho nos foi dado, e o poder foi posto sobre o seu ombro, e se chamará seu nome o Admirável, o Conselheiro, o Deus forte, o Poderoso, o Pai da eternidade, o Príncipe da paz.\" (Isaías, IX, v. 5)

\"Eis meu servidor, eu o sustentarei; é o meu eleito, minha alma nele colocou sua afeição; coloquei o meu Espírito sobre ele; ele exercerá a justiça entre as nações.

\"Não se retirará nunca, nem se precipitará nunca, até que haja estabelecido a justiça sobre a Terra, e os seres se detiverem à sua lei.\" (Isaias, XLII, v. 1 e 4.)

\"Ele gozará do trabalho de sua alma, e nisso será saciado; e meu servidor justo nisso justificará vários, pelo conhecimento que terão dele e ele mesmo levará suas iniqüidades.\" (Isaías, LIII, v. 11.)

\"Rejubila-te extremamente, filha de Sião; lance gritos de alegria, filha de Jerusalém! Eis: teu rei virá a ti, justo e salvador humilde, e montará sobre um asno, e sobre o potro de uma jumenta. E proibirei os carros de guerra de Efraim, e os cavalos de Jerusalém, e o arco do combate será também proibido e teu rei falará de paz às nações; e seu domínio se estenderá desde um mar ao outro mar, e desde o rio até os confins da Terra.\" (Zacarias, IX, v. 9, 10.)

\"E ele (o Cristo) se manterá, e governará pela força do Eterno, e com a magnificência do nome do Eterno, seu Deus. E eles farão as pazes, e agora será glorificado até os confins da Terra, e será ele que fará a paz. (Miquéias, V, v. 4.)

A distinção entre Deus e seu enviado futuro está caracterizada da maneira mais formal; Deus o designa seu servidor, por conseqüência seu subordinado; em suas palavras, nada há que implique a idéia de igualdade de poder, nem de consubstancialidade entre as duas pessoas. Deus ter-se-ia enganado, e os homens vindos três séculos após Jesus Cristo teriam visto mais justo do que ele? Tal parece ser a sua pretensão.

VIII. O Verbo se fez carne

\"No começo era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. – Ele estava no começo com Deus. – Todas as coisas foram feitas por ele; e nada do que fez não fez sem ele. – Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens; – E a luz brilhou nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

\"Houve um homem enviado de Deus que se chamava João. – Ele veio para servir de testemunha, para dar testemunho à luz, a fim de que todos cressem por ele. – Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho daquele que era a luz.

\"Aquela era a verdadeira luz que clareia todo homem vindo neste mundo. – Ele estava no mundo e o mundo nada fez por ele, e o mundo não o conheceu. – Ele veio aos seus e os seus não o receberam. – Mas deu a todos aqueles que o receberam o poder de serem feitos filhos de Deus, àqueles que creram em seu nome, que não são nascidos do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo.

\"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e vimos a sua glória, sua glória tal quanto o Filho único deveria recebê-la do Pai; ele, digo eu, habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.\" (João, cap. 1º, v. de 1 a 14.)

Esta passagem dos Evangelhos é a única que, à primeira vista, parece encerrar implicitamente uma idéia de identificação entre Deus e a pessoa de Jesus; é também aquela sobre a qual se estabeleceu, mais tarde, a controvérsia a este respeito. Essa questão da divindade de Jesus não chegou senão gradualmente; nasceu das discussões levantadas a propósito das interpretações dadas, por alguns, às palavras Verbo e Filho. Não foi senão no quarto século que ela foi adotada, em princípio, por uma parte da Igreja. Esse dogma é, pois, o resultado de uma decisão dos homens e não de uma revelação divina.

Há de início a notar que, as palavras que citamos mais acima, são de João, e não de Jesus, e que, admitindo que não hajam sido alteradas, não exprimem, em realidade, senão uma opinião pessoal, uma indução onde se encontra o misticismo habitual de sua linguagem; elas não poderiam, pois, prevalecer contra as afirmações reiteradas do próprio Jesus.

Mas, aceitando-as tais quais são, elas não resolvem de nenhum modo a questão no sentido da divindade, porque se aplicariam igualmente a Jesus, criatura de Deus.

Com efeito, o Verbo é Deus, porque é a palavra de Deus. Tendo Jesus recebido essa palavra diretamente de Deus, com a missão de revelá-la aos homens, assimilou-a; a palavra divina, da qual estava penetrado, se encarnou nele; trouxe-a ao nascer, e foi com razão que Jesus pôde dizer: O Verbo se fez carne, e habitou entre nós. Jesus pode, pois, estar encarregado de transmitir a palavra de Deus sem ser Deus, ele mesmo, como um embaixador transmite as palavras de seu soberano, sem ser o soberano. Segundo o dogma da divindade, é Deus que fala; na outra hipótese, ele fala pela boca de seu enviado, o que não rouba nada à autoridade de suas palavras.

Mas quem autoriza essa suposição antes do que outra? A única autoridade competente para decidir a questão são as próprias palavras de Jesus, quando disse: \"Eu nunca falei de mim mesmo, mas aquele que me enviou me prescreveu , por seu mandamento o que devo dizer; - minha doutrina não é a minha doutrina, mas a doutrina daquele que me enviou, a palavra que ouvistes não é, minha palavra, mas a de meu Pai que me enviou.\" É impossível exprimir-se com mais clareza e precisão.

A qualidade de Messias ou enviado, que lhe é dada em todo o curso dos Evangelhos, implica uma posição subordinada com relação àquele que ordena; aquele que obedece não pode estar igual àquele que manda. João caracteriza essa posição secundária, e, por conseqüência, estabelece a dualidade das pessoas quando disse: E vimos a sua glória, tal quanto \"o Filho único deveria receber do Pai\"; porque aquele que recebe não pode ser igual àquele que dá, e aquele que dá a glória não pode ser igual àquele que a recebe. Se Jesus é Deus, possui a glória por si mesmo e não a espera de ninguém; se Deus e Jesus são um único ser sob dois nomes diferentes, não poderia existir entre eles nem supremacia, nem subordinação; desde então, que não há paridade absoluta de posição, é que são dois seres distintos.

A qualificação de Messias divino não implica a igualdade entre o mandatário e o mandante, como a do enviado real entre um rei e seu representante.

Jesus era um messias divino pelo duplo motivo que tinha a sua missão de Deus, e que as suas perfeições o colocavam em relação direta com Deus.

IX. Filho de Deus e filho do homem

O título de Filho de Deus, longe de implicar a igualdade, é bem antes o indício de uma submissão; ora, deve estar submetido a alguém e não a si mesmo.

Para que Jesus fosse o igual absoluto de Deus, seria necessário que fosse como ele, de toda a eternidade, quer dizer, que fosse incriado; ora, o dogma diz que Deus o engendrou de toda a eternidade; mas quem disse engendrar diz criar; que isso seja, ou não, de toda a eternidade, não se é menos uma criatura, e, como tal, subordinada a seu Criador; é a idéia implícita encerrada na palavra Filho.

Jesus nasceu no tempo? De outro modo dito: foi um tempo na eternidade, na eternidade passada, onde ele não existia? Ou bem é co-Eterno com o Pai? Tais são as sutilezas sobre as quais discutiu-se durante os séculos. Sobre qual autoridade se apóia a doutrina da co-eternidade passada ao estado de dogma? Sobre a opinião dos homens que a estabeleceram. Mas esses homens, por qual autoridade fundaram a sua opinião? Isso não é sobre a de Jesus, uma vez que se declara subordinado; não é sobre a dos profetas que o anunciam como o enviado e o servidor de Deus. Em quais documentos desconhecidos, mais autênticos do que os Evangelhos encontraram essa doutrina? Aparentemente, na consciência e na superioridade de suas próprias luzes.

Deixemos, pois, essas vãs discussões que não poderiam terminar, e cuja solução mesmo, se fora possível, não tornaria os homens melhores. Digamos que Jesus é Filho de Deus, como todas as criaturas; ele o chama seu Pai como nós aprendemos a chamar nosso Pai. É o Filho bem-amado de Deus porque, tendo chegado à perfeição que o aproxima de Deus, possui toda a sua confiança e todo o seu afeto; ele se diz, ele mesmo, Filho único, não que seja o único ser chegado a esse grau, mas porque só ele estava predestinado a cumprir essa missão sobre a Terra.

Se a qualificação de Filho de Deus parecia apoiar a doutrina da divindade, não era, do mesmo modo daquela do Filho do homem que Jesus se deu em sua missão, e que fez o assunto de muitos comentários.

Para melhor compreender-lhe o verdadeiro sentido, é necessário remontar à Bíblia, onde está dada por ele mesmo ao profeta Ezequiel.

\"Tal foi a imagem da glória do Senhor que me foi apresentada. Tendo, pois, visto essas coisas, lancei meu rosto por terra: e ouvi uma voz que me falava e disse: Filho do homem, tende-vos sobre os vossos pés e eu falarei convosco. – E o Espírito, tendo me falado da sorte, entrou em mim, e me firmou sobre os meus pés e eu o ouvi que me falava e me dizia: Filho do homem, eu vos envio aos filhos de Israel, para um povo apóstata que se retirou de mim. Violaram até este dia, eles e seus pais, a aliança que fiz com eles.\" (Ezequiel, cap. II, v. 1, 2, 3.)

\"Filho do homem, eis que vos prepararam os grilhões; a eles vos prenderão e deles não saireis nunca.\" (Cap. III, v. 25.)

\"O Senhor me dirigiu ainda a sua palavra e me disse: – E vós, Filho do homem, eis o que disse o Senhor Deus à terra de Israel: o fim vem; ele vem, esse fim, sobre os quatro cantos desta terra.\" (Cap. VII, v. 1, 2.)

\"No décimo dia, do décimo mês, do nono ano, o Senhor me dirigiu a palavra e me disse: – Filho do homem, marcai bem esse dia que o rei de Babilônia reuniu as sua tropas diante de Jerusalém.\" (Cap. XXIV, v. 1, 2.)

\"O Senhor me disse ainda estas palavras: – Filho do homem, vou vos ferir com uma ferida e vos arrebatar o que é mais agradável aos vossos olhos; mas não fareis nunca lamentos fúnebres; não chorareis nunca, e as lágrimas nunca correrão em vosso rosto. – Suspirareis em segredo, e não fareis luto nunca como foi feito para os mortos; vossa coroa permanecerá ligada sobre a vossa cabeça, e tereis vossos sapatos em vossos pés: não cobrireis o rosto e não comereis nunca a carne que se dá àqueles que estão no luto. – Eu falei, pois, de manhã ao povo, e à noite minha mulher morreu. No dia seguinte de manhã, fiz o que Deus me ordenara. (Cap. XXIV, v. de 15 a 18.)

\"O Senhor me falou ainda e me disse: Filho do homem, profetizai com respeito aos pastores de Israel; profetizai e dizei aos pastores: Eis o que disse o Senhor Deus: Infelizes os pastores de Israel que apascentam a si mesmos: os pastores não apascentam os seus rebanhos?\" (Cap. XXXIV, v. 1, 2.)

\"Então eu ouvi que me falava, no interior da casa; e o homem que estava próximo de mim me disse: - Filho do homem, eis aqui o lugar de meu trono: o lugar onde porei os meus pés, e onde permanecerei para sempre no meio dos filhos de Israel, e a casa de Israel não profanará mais meu santo nome no futuro, nem eles, nem seus reis, por suas idolatrias, pelos sepulcros de seus reis, nem pelos seus nobres.\" (Cap. XLIII, v. 6, 7.)

\"Porque Deus nunca ameaça como os homens, e não entra nunca em furor como o Filho do homem.\" (Judite, Cap. VIII, v. 15.)

É evidente que a qualificação de Filho do homem quer dizer isto: que nasceu do homem, por oposição àquilo que está fora da Humanidade. A última citação, tirada do livro de Judite, não deixa dúvida sobre o significado desta palavra, empregada num sentido muito literal. Deus não designou Ezequiel senão sob esse nome, sem dúvida para lhe lembrar que, apesar do dom da profecia que lhe foi concedido, com isso não pertencia menos à Humanidade, e a fim de que não se cresse de uma natureza excepcional.

Jesus se dá a si mesmo essa qualificação com uma persistência notável, porque não é senão em muito raras circunstâncias que se diz Filho de Deus. Em sua boca não pode ter outro significado que o de lembrar que, também ele, pertence à Humanidade: por aí se assimila aos profetas que o precederam e aos quais se comparou fazendo alusão à sua morte, quando disse: JERUSALÉM QUE MATA OS PROFETAS? A insistência que coloca em se designar como filho do homem, parece um protesto antecipado contra a qualidade que prevê que dar-se-lhe-á mais tarde, a fim de que seja bem constatado que ela não saiu de sua boca.

É notável que, durante essa interminável polêmica que apaixonou os homens durante uma longa série de séculos, e dura ainda, que acendeu as fogueiras e fez verter ondas de sangue, disputou-se sobre uma abstração, a natureza de Jesus, da qual se fez a pedra angular do edifício, embora disso não haja falado; e que se haja esquecido uma coisa, a de que o Cristo disse ser toda a lei e os profetas: o amor de Deus e do próximo, e a caridade, da qual fez a condição expressa de salvação. Agravou-se sobre a questão da afinidade de Jesus com Deus, e se passou completamente sob silêncio as virtudes que ele recomendou e das quais deu o exemplo.

O próprio Deus, se apagou diante da exaltação da personalidade do Cristo. No símbolo de Nicéia, está dito simplesmente: Cremos em um Deus único, etc.; mas como é esse Deus? De nenhum modo se fez menção aos seus atributos essenciais: a soberana vontade e a soberana justiça. Essas palavras seriam a condenação dos dogmas que consagram sua parcialidade para com certas criaturas, sua inexorabilidade, seu ciúme, sua cólera, seu espírito vingativo, dos quais se autoriza para justificar as crueldades cometidas em seu nome.

Se o símbolo de Nicéia, que se tornou o fundamento da fé católica, estava segundo o Espírito do Cristo, por que o anátema com que o termina? Não é a prova de que é obra da paixão dos homens? Aliás, a que se deve a sua adoção? À pressão do imperador Constantino que disso fizera uma questão mais política do que religiosa. Sem a sua ordem, o Concílio de Nicéia não ocorreria; sem a intimidação que exerceu, é mais do que provável que o Arianismo o arrebataria. Portanto, dependeu da autoridade soberana de um homem que não pertencia à Igreja, que reconheceu mais tarde o erro que fizera politicamente, e que inutilmente procurou retornar sobre os seus passos conciliando as partes, para que não sejamos arianos em lugar de sermos católicos, e para que o Arianismo não fosse hoje a ortodoxia, e o catolicismo a heresia.

Depois de dezoito séculos de lutas e de disputas vãs, durante os quais se pôs completamente de lado a parte mais essencial do ensino do Cristo, a única que poderia assegurar a paz da Humanidade, se está ainda nessas discussões estéreis que não levaram senão a perturbações, engendraram a incredulidade, e cujo objeto não satisfaz mais à razão.

De: Victor Hugo
Para: Bartolomeu
E-mail: vhgdebem@gmail.com
Data: 07/04/16 09:22

ESCLARECIMENTOS DE ALLAN KARDEC



Carta à Sua Alteza o Príncipe G.

Revista Espírita, janeiro de 1859

Príncipe,

Vossa Alteza honrou-me dirigindo-me várias perguntas referentes ao Espiritismo; vou tentar respondê-las, tanto quanto o permita o estado dos conhecimentos atuais sobre a matéria, resumindo em poucas palavras o que o estudo e a observação nos ensinaram a esse respeito. Essas questões repousam sobre os princípios da própria ciência: para dar maior clareza à solução, é necessário ter esses princípios presentes no pensamento; permita-me, pois, tomar a coisa de um ponto mais alto, colocando como preliminares certas proposições fundamentais que, de resto, elas mesmas servirão de resposta a algumas de vossas perguntas.

Há, fora do mundo corporal visível, seres invisíveis que constituem o mundo dos Espíritos.

Os Espíritos não são seres à parte, mas as próprias almas daqueles que viveram na Terra ou em outras esferas, e que deixaram seus envoltórios materiais.

Os Espíritos apresentam todos os graus de desenvolvimento intelectual e moral. Há, por consequência, bons e maus, esclarecidos e ignorantes, levianos, mentirosos, velhacos, hipócritas, que procuram enganar e induzir ao mal, como os há muitos superiores em tudo, e que não procuram senão fazer o bem. Essa distinção é um ponto capital.

Os Espíritos nos cercam sem cessar, com o nosso desconhecimento, dirigem os nossos pensamentos e as nossas ações, e por aí
influem sobre os acontecimentos e os destinos da Humanidade.

Os Espíritos, freqüentemente, atestam sua presença por efeitos materiais. Esses efeitos nada têm de sobrenatural; não nos parecem tal senão porque repousam sobre bases fora das leis conhecidas da matéria. Uma vez conhecidas essas bases, o efeito entra na categoria dos fenômenos naturais; é assim que os Espíritos podem agir sobre os corpos inertes e fazê-los mover sem o concurso de nossos agentes exteriores. Negar a existência de agentes desconhecidos, unicamente porque não são compreendidos, seria colocar limites ao poder de Deus, e crer que a Natureza nos disse sua última palavra.

Todo efeito tem uma causa; ninguém o contesta. É, pois, ilógico negar a causa unicamente porque seja desconhecida.

Se todo efeito tem uma causa, todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente. Quando se vê o braço do telégrafo fazer sinais que respondem a um pensamento, disso se conclui, não que esses braços sejam inteligentes, mas que uma inteligência fá-los moverem-se. Ocorre o mesmo com os fenômenos espíritas. Se a inteligência que os produz não é a nossa, é evidente que ela está fora de nós.

Nos fenômenos das ciências naturais, atua-se sobre a matéria inerte, que se manipula à vontade; nos fenômenos espíritas age-se sobre inteligências que têm seu livre arbítrio, e não estão submetidas à nossa vontade. Há, pois, entre os fenômenos usuais e os fenômenos espíritas uma diferença radical quanto ao princípio: por isso, a ciência vulgar é incompetente para julgá-los.

O Espírito encarnado tem dois envoltórios, um material que é o corpo, o outro semi-material e indestrutível que é o perispírito. Deixando o primeiro, conserva o segundo que constitui para ele uma espécie de corpo, mas cujas propriedades são essencialmente diferentes. Em seu estado normal, é invisível para nós, mas pode tornar-se momentaneamente visível e mesmo tangível: tal é a causa do fenômeno das aparições.

Os Espíritos não são, pois, seres abstratos, indefinidos, mas seres reais e limitados, tendo sua própria existência, que pensam e agem em virtude de seu livre arbítrio. Estão por toda parte, ao redor de nós; povoam os espaços e se transportam com a rapidez do pensamento.

Os homens podem entrar em relação com os Espíritos e deles receberem comunicações diretas pela escrita, pela palavra e por outros meios. Os Espíritos, estando ao nosso lado e podendo virem ao nosso chamado, pode-se, por certos intermediários, estabelecer com eles comunicações seguidas, como um cego pode fazê-lo com as pessoas que ele não vê.

Certas pessoas são dotadas, mais do que outras, de uma aptidão especial para transmitirem as comunicações dos Espíritos: são os médiuns. O papel do médium é o de um intérprete; é um instrumento do qual se servem os Espíritos: esse instrumento pode ser mais ou menos perfeito, e daí as comunicações mais ou menos fáceis.

Os fenômenos espíritas são de duas ordens: as manifestações físicas e materiais, e as comunicações inteligentes. Os efeitos físicos são produzidos por Espíritos inferiores; os Espíritos elevados não se ocupam mais dessas coisas quanto nossos sábios não se ocupam em fazerem grandes esforços: seu papel é de instruir pelo raciocínio.

As comunicações podem emanar de Espíritos inferiores, como de Espíritos superiores. Reconhecem-se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem: a dos Espíritos superiores é sempre séria, digna, nobre e marcada de benevolência; toda expressão trivial ou inconveniente, todo pensamento que choque a razão ou o bom senso, que denote orgulho, acrimônia ou malevolência, necessariamente, emana de um Espírito inferior.

Os Espíritos elevados não ensinam senão coisas boas; sua moral é a do Evangelho, não pregam senão a união e a caridade, e jamais enganam. Os Espíritos inferiores dizem absurdos, mentiras, e, frequentemente, grosserias mesmo.

A bondade de um médium não consiste somente na facilidade das comunicações, mas, sobretudo, na natureza das comunicações que recebe. Um bom médium é aquele que simpatiza com os bons Espíritos e não recebe senão boas comunicações.

Todos temos um Espírito familiar que se liga a nós desde o nosso nascimento, nos guia, nos aconselha e nos protege; esse Espírito é sempre bom.

Além do Espírito familiar, há Espíritos que são atraídos para nós por sua simpatia por nossas qualidades e nossos defeitos, ou por antigas afeições terrestres. Donde se segue que, em toda reunião, há uma multidão de Espíritos mais ou menos bons, segundo a natureza do meio.

Podem os Espíritos revelar o futuro?

Os Espíritos não conhecem o futuro senão em razão de sua elevação. Os que são inferiores não conhecem mesmo o seu, por mais forte razão o dos outros. Os Espíritos superiores o conhecem, mas não lhes é sempre permitido revelá-lo. Em princípio, e por um desígnio muito sábio da Providência, o futuro deve nos ser ocultado; se o conhecêssemos, nosso livre arbítrio seria por isso entravado. A certeza do sucesso nos tiraria o desejo de nada fazer, porque não veríamos a necessidade de nos dar ao trabalho; a certeza de uma infelicidade nos desencorajaria. Todavia, há casos em que o conhecimento do futuro pode ser útil, mas deles jamais podemos ser juízes: os Espíritos no-los revelam quando crêem útil e têm a permissão de Deus; fazem-no espontaneamente e não ao nosso pedido. E preciso esperar, com confiança a oportunidade, e sobretudo não insistir em caso de recusa, de outro modo se arrisca a relacionar-se com Espíritos levianos que se divertem às nossas custas.

Podem os Espíritos nos guiar, por conselhos diretos, nas coisas da vida?

Sim, eles o podem e o fazem voluntariamente. Esses conselhos nos chegam diariamente pelos pensamentos que nos sugerem. Freqüentemente, fazemos coisas das quais nos atribuímos o mérito, e que não são, na realidade, senão o resultado de uma inspiração que nos foi transmitida. Ora, como estamos cercados de Espíritos que nos solicitam, uns num sentido, os outros no outro, temos sempre o nosso livre arbítrio para nos guiar na escolha, feliz para nós quando damos a preferência ao nosso bom gênio.

Além desses conselhos ocultos, pode-se tê-los diretos por um médium; mas é aqui o caso de se lembrar dos princípios fundamentais que emitimos a toda hora. A primeira coisa a considerar é a qualidade do médium, senão o for por si mesmo. Médium que não tem senão boas comunicações, que, pelas suas qualidades pessoais não simpatiza senão com os bons Espíritos, é um ser precioso do qual podem-se esperar grandes coisas, se todavia for secundado pela pureza de suas próprias instruções e se tomadas convenientemente: digo mais, é um instrumento providencial.

O segundo ponto, que não é menos importante, consiste na natureza dos Espíritos aos quais se dirigem, e não é preciso crer que o primeiro que chegue possa nos guiar utilmente. Quem não visse nas comunicações espíritas senão um meio de adivinhação, e em um médium uma espécie de ledor de sorte, se enganaria estranhamente. É preciso considerar que temos, no mundo dos Espíritos, amigos que se interessam por nós, mais sinceros e mais devotados do que aqueles que tomam esse título na Terra, e que não têm nenhum interesse em nos bajular e em nos enganar. Além do nosso Espírito protetor, são parentes ou pessoas que se nos afeiçoaram em sua vida, ou Espíritos que nos querem o bem por simpatia. Aqueles vêm voluntariamente quando são chamados, e vêm mesmo sem que sejam chamados; temo-los, freqüentemente, ao nosso lado sem disso desconfiar. São aqueles aos quais pode-se pedir conselhos pela via direta dos médiuns, e que os dão mesmo espontaneamente sem que lhes peça. Fazem-no sobretudo n a intimidade, no silêncio, e então quando nenhuma influência venha perturbá-los: aliás, são muito prudentes, e não se tem a temer da sua parte uma indiscrição imprópria: eles se calam quando há ouvidos demais. Fazem-no, ainda com mais bom grado, quando estão em comunicação frequente conosco; como eles não dizem as coisas senão com o propósito e segundo a oportunidade, é preciso esperar a sua boa vontade e não crer que, à primeira vista, vão satisfazer a todos os nossos pedidos; querem nos provar com isso que não estão às nossas ordens.

A natureza das respostas depende muito do modo como se colocam as perguntas; é preciso aprender a conversar com os Espíritos como se aprende a conversar com os homens: em todas as coisas é preciso a experiência. Por outro lado, o hábito faz com que os Espíritos se identifiquem conosco e com o médium, os fluidos se combinam e as comunicações são mais fáceis; então se estabelece, entre eles e nós, verdadeiras conversações familiares; o que não dizem num dia, dizem-no em outro; eles se habituam à nossa maneira de ser, como nós à sua: fica-se, reciprocamente, mais cômodo. Quanto à ingerência de maus Espíritos e de Espíritos enganadores, o que é o grande escolho, a experiência ensina a combatê-los, e pode-se sempre evitá-los. Se não se lhes expuser, não vêm mais onde sabem perder seu tempo.

Qual pode ser a utilidade da propagação das ideias espíritas?

O Espiritismo, sendo a prova palpável, evidente da existência, da individualidade e da imortalidade da alma, é a destruição do Materialismo. Essa negação de toda religião, essa praga de toda sociedade. O número dos materialistas que foram conduzidos a ideias mais sadias é considerável e aumenta todos os dias: só isso seria um benefício social. Ele não prova somente a existência da alma e sua imortalidade; mostra o estado feliz ou infeliz delas segundo os méritos desta vida. As penas e as recompensas futuras não são mais uma teoria, são um fato patente que se tem sob os olhos. Ora, como não há religião possível sem a crença em Deus, na imortalidade da alma, nas penas e nas recompensas futuras, se o Espiritismo conduz a essas crenças aqueles em que estavam apagadas, disso resulta que é o mais poderoso auxiliar das ideias religiosas: dá a religião àqueles que não a têm; fortifica-a naqueles em que ela é vacilante; consola pela certeza do futuro, faz aceitar com paciência e resignação as tribulações desta vida, e afasta do pensamento do suicídio, pensamento que se repele naturalmente quando se lhe vê as consequências: eis porque aqueles que penetraram esses mistérios estão felizes com isso; é para eles uma luz que dissipa as trevas e as angústias da dúvida.

Se considerarmos agora a moral ensinada pelos Espíritos superiores, ela é toda evangélica, é dizer tudo: prega a caridade cristã em toda a sua sublimidade; faz mais, mostra a necessidade para a felicidade presente e futura, porque as consequências do bem e do mal que fizermos estão ali diante dos nossos olhos. Conduzindo os homens aos sentimentos de seus deveres recíprocos, o Espiritismo neutraliza o efeito das doutrinas subversivas da ordem social.

Essas crenças não podem ser um perigo para a razão?

Todas as ciências não forneceram seu contingente às casas de alienados? É preciso condená-las por isso? As crenças religiosas não estão ali largamente representadas? Seria justo, por isso, proscrever a religião? Conhecem-se todos os loucos que o medo do diabo produziu? Todas as grandes preocupações intelectuais levam à exaltação, e podem reagir lastimavelmente sobre um cérebro fraco; teria fundamento ver-se no Espiritismo um perigo especial a esse respeito, se ele fosse a causa única, ou mesmo preponderante, dos casos de loucura. Faz-se grande barulho de dois ou três casos aos quais não se daria nenhuma atenção em outra circunstância; não se levam em conta, ainda, as causas predisponentes anteriores. Eu poderia citar outras nas quais as ideias espíritas, bem compreendidas, detiveram o desenvolvimento da loucura. Em resumo, o Espiritismo não oferece, sob esse aspecto, mais perigo que as mil e uma causas que a produzem diariamente; digo mais, que ele as oferece muito menos, naquilo que ele carrega em si mesmo seu corretivo, e que pode, pela direção que dá às ideias, pela calma que proporciona ao espírito daqueles que o compreende, neutralizar o efeito de causas estranhas. O desespero é uma dessas causas; ora, o Espiritismo, fazendo-nos encarar as coisas mais lamentáveis com sangue frio e resignação, nos dá a força de suportá-las com coragem e resignação, e atenua os funestos efeitos do desespero.

As crenças espíritas não são a consagração das ideias supersticiosas da Antiguidade e da Idade Média, e não podem recomendá-las?

As pessoas sem religião não taxam de superstição a maioria das crenças religiosas? Uma ideia não é supersticiosa senão porque ela é falsa; cessa de sê-lo se se torna uma verdade. Está provado que, no fundo da maioria das superstições, há uma verdade ampliada e desnaturada pela imaginação. Ora, tirar a essas ideias todo seu aparelho fantástico, e não deixar senão a realidade, é destruir a superstição: tal é o efeito da ciência espírita, que coloca a nu o que há de verdade ou de falso nas crenças populares. Por muito tempo, as aparições foram vistas como uma crença supersticiosa; hoje, que são um fato provado, e, mais que isso, perfeitamente explicado, elas entram no domínio dos fenômenos naturais. Seria inútil condená-las, não as impediria de se produzirem; mas aqueles que delas tomam conhecimento e as compreendem, não somente não se amedrontam, mas com elas ficam satisfeitos, e é a tal ponto que aqueles que não as têm desejam tê-las. Os fenômenos incompreendidos deixam o campo livre à imaginação, são a fonte de uma multidão de ideias acessórias, absurdas, que degeneram em superstição. Mostrai a realidade, explicai a causa, e a imaginação se detém no limite do possível; o maravilhoso, o absurdo e o impossível desaparecem, e com eles a superstição; tais são, entre outras, as práticas cabalísticas, a virtude dos sinais e das palavras mágicas, as fórmulas sacramentais, os amuletos, os dias nefastos, as horas diabólicas, e tantas outras coisas das quais o Espiritismo, bem compreendido, demonstra o ridículo.

Tais são, Príncipe, as respostas que acreditei dever fazer às perguntas que me haveis dado a honra em me endereçar, feliz se elas podem corroborar as ideias que Vossa Alteza já possui sobre essas matérias, e vos levar a aprofundar uma questão de tão alto interesse; mais feliz ainda se meu concurso ulterior puder ser para vós de alguma utilidade.

Com o mais profundo respeito, sou, de Vossa Alteza, o muito humilde e muito obediente servidor,

Allan Kardec

De: Victor Hugo
Para: Bartolomeu
E-mail: vhgdebem@gmail.com
Data: 07/04/16 09:19

\"Os homens semeiam na Terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.\" Allan Kardec

“ A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos com que vençamos os obstáculos nas pequenas e grandes coisas”
Allan Kardec

Evangelho Segundo o Espiritismo cap. 19 item 02

ESPIRITISMO ESTUDADO

Impostergável, nos cometimentos diários, o dever de estudar e aplicar as nobres lições do Espiritismo, no atual estágio da evolução do pensamento.
À medida que as luzes da Doutrina Espírita clarificam o entendimento humano, mais imperioso se torna o cultivo das informações que ressumam da Revelação, a fim de que a ignorância em torno dos problemas do espírito seja em definitivo combatida.

A responsabilidade dos que travaram contato com a Mensagem de Jesus, desvelada e atualizada pelos Espíritos, é muito grande, pois que àquele que usufrui a bênção do esclarecimento não se pode conceder a indulgência da leviandade, nem tampouco a reprochável conduta da indiferença em face das magnas questões que se agigantam em todo lugar.

Até hoje o egoísmo tem exercido sobre o espírito humano um soberano comando, O Espiritismo, preconizando o amor que liberta e a fraternidade que socorre, é o mais severo adversário desse sicário destruidor.

Todavia, para que o adepto do Espiritismo se integre realmente no espírito da Doutrina, exige-se-lhe aprofundamento intelectual no conteúdo da informação espírita, de modo a poder corporificá-la conscientemente no comportamento moral e social, na jornada diária.


Nesse sentido, há que fazer justa quão indispensável diferença entre o Espiritismo e o Movimento Espírita.


Vigem, em muitos setores da prática espiritista, normas e diretrizes ultrajantes à Mensagem de que Allan Kardec foi instrumento do Alto, seja por negligência de muitos dos seus membros, seja pela crassa ignorância daqueles que assumem responsabilidades definidas, ante os dispositivos abraçados, sem os necessários recursos culturais indispensáveis. Por exemplo, é equivocado dizer Espiritismo Kardecista, pois, o próprio Kardec rejeitou a denominação kardecista, pois, só há um Espiritismo. Ocorre que, por falta de conhecimento, muitas pessoas confundem a Doutrina Espírita com outras crenças e práticas, como candomblé, umbanda, etc. O Espiritismo não tem nada a ver com essas crenças e práticas.


Ante a grandeza da Revelação, por estarem acostumados às limitações típicas das seitas do passado, ou porque ainda vinculados às superstições nefandas dos dias recuados, muitos pseudo-espiritas pretendem reduzir a grandeza imensurável do Espiritismo à estreiteza de uma nova seita, em cujo organismo grassem os erros derivados da incompetência e do abastardamento, de que o desconhecimento da Codificação se faz motivação poderosa.

O Movimento Espírita é o resultado do labor dos homens, enquanto o Espiritismo é a Doutrina dos Espíritos dirigida aos homens.

O Espiritismo, pois, não cessemos de repetir, é ciência de observação e investigação incessante. Tateamos agora as primeiras constatações, ante o infinito das realidades que ele busca, devassa e esclarece. Há, ainda e continuamente, infindo campo de informação a perquirir e constatar no eloqüente continente da vida espiritual.

Estudado, o Espiritismo dealba a antemanhã luminosa da humanidade do futuro, desde agora.
Como Filosofia, a sua escola de indagação não se limita às linhas clássicas da discussão, nem se empareda na estreiteza dos conceitos ultramontanos ou do debate limitado, porquanto estas não são as primeiras nem as últimas palavras das elucidações que faculta, nem dos esclarecimentos que oferta.



Religião da ciência, como ciência da filosofia, é, ao mesmo tempo, a filosofia da religião, e sua ética não se estratifica na moralidade das convenções transitórias, nem se resume a dogmas atentatórios à razão.


Com fundamentos na Revelação Moisaica, através do insubstituível código do Decálogo, sempre oportuno e novo em toda a sua elaboração — segurança para cada homem e arbítrio para todas as nações — abranda, com a excelsa beleza do Evangelho do Cristo, a aspereza severa das antigas leis de Talião, dando cumprimento às promessas dos Profetas e de Jesus.

Doutrina que acompanha o progresso do Conhecimento e estimula novas formas de averiguação e pesquisa, não se detém nas conquistas conseguidas, antes projeta para o mundo das causas as suas alocuções filosóficas, facultando empreendimentos mais audaciosos e profundos, tendo em vista o investimento homem — esse objetivo essencial da sua obstinada busca transcendental.


Convertê-lo em resíduo seitista é desfigurá-lo danosamente, ceifando os elevados objetivos a que se propõe. Mantê-lo em círculo de mediunismo desregrado, significa desconsiderá-lo no aspecto superior das suas realizações: o da pesquisa científica, por cujos roteiros a ciência e a fé se unirão na romagem para a vida e para Deus.

É verdade que se alastram formas primitivas de mediunismo em toda parte, merecendo esta questão mais cuidadoso exame, para melhor serem debeladas as nefastas conseqüências de tal fenômeno. E, por essa razão, maior deve ser o nosso empenho na sadia divulgação dos postulados espíritas, lavrados no estudo sistemático e constante do contexto doutrinário, para que o medicamento com que pretendemos amenizar ou erradicar os males morais da sociedade hodierna, não venha a produzir maiores danos, como resultado da sua má dosagem e aplicação.

A princípio, o Cristianismo foi eficiente remédio aplicado sobre as feridas do Paganismo. A indiscriminada e irracional utilização da Doutrina do Cristo, deformada nos seus pontos básicos, sobre as chagas sociais da época, produziu cânceres mais virulentos do que aqueles que visava a combater e de cujos danos ainda sofrem as comunidades modernas...


Fenômeno consentâneo pode ocorrer nestes dias com o Espiritismo... Sem dúvida, a Doutrina é irreversível e sadia. Todavia, a Boa Nova também o é. . .

Dilatam-se as referências espíritas no organismo social do momento; multiplicam-se as Casas Espíritas; há adesões em massa ao Espiritismo; surgem os primeiros sintomas de cultos espíritas; aparecem fartas concessões ao Espiritismo. . . Respeitando e considerando todas as formas de divulgação, não nos podemos furtar à conclusão de que a quantidade tem recebido maior valorização do que a qualidade, que deve manter o caráter específico de pureza que não podemos subestimar.

O movimento espírita cresce e se propaga, mas a Doutrina Espírita permanece ignorada, quando não adulterada em muitos dos seus postulados, ressalvadas as excelentes e incontáveis exceções.

O que se possa lucrar pela quantidade pode redundar em prejuízo na qualidade.

No que diz respeito ao capítulo das obsessões, aventureiros inescrupulosos se intrometem, inspirados por mentes desencarnadas afeiçoadas à lavoura da perturbação, fazendo que promovam espetáculos lamentáveis, nos quais a mediunidade se transforma em chaga espiritual, por cuja purulência exsudam as misérias pretéritas...


Alardeiam perseguições, esses malfazejos diretores de trabalhos, e, em nome do esclarecimento, apavoram os neófitos, fazendo que, pelo medo e através do desconhecimento do Espiritismo, se vinculem aos seus desafetos desencarnados, mediante a fixação mental ou ao pavor que os dominam, após as incursões inconscientes em misteres de tal monta.

O Espiritismo é doutrina de otimismo, de educação integral, de higiene mental e moral. É o retorno do Cristo ao atormentado homem do século ciclópico da Tecnologia, através dos seus emissários, renovando a Terra e multiplicando a esperança e a paz nas mentes e nos corações que Lhe permaneçam fiéis.

Nos redutos em que o estudo da Doutrina Espírita é considerado desnecessário, afirma-se que êle se faz adversário da cultura e, a pretexto de auxílio aos que sofrem, atenta-se contra a ciência médica, principalmente, reduzindo-o a superstição danosa e inconseqüente.



Destinado aos infelizes, estes não são apenas os que sofrem as dificuldades econômicas e são conhecidos como constituintes das classes humildes. A dor não se limita a questões de circunstância, tempo e lugar. Dessa maneira, não prescreve a ignorância, mas proscreve-a.

lmpostergável, portanto, o compromisso que temos, todos nós, desencarnados e encarnados, de estudar e divulgar o Espiritismo nas bases nobres com que no-lo apresentou Allan Kardec, a fim de que o Consolador, de que se faz instrumento, não apenas enxugue em nós os suores e as lágrimas, mas faça estancar, nas fontes do sofrimento, as causas de todas as aflições que produzem as lágrimas e os suores.

Nesta aferição de valores, para o elevado mister da divulgação espírita, oremos e vigiemos, conforme a recomendação do Mestre, para que nos desincumbamos a contento do cometimento aceito, dando conta da nossa responsabilidade, com o espírito tranqüilo e a mente pacificada.


Autor: Vianna de Carvalho (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Sementeira da Fraternidade.

De: Nely
Para: todos
E-mail: neli.maria@ig.com.br
Data: 02/04/16 09:43

Bom dia a todos!
Comunico que mais um jovem tirou própria vida ontem, deixando uma carta de despedida a família. Motivo, não conseguiu suportar a Depressão-Sindrome do Panico, o mais interessante da carta, que ele pede para que seus pertence sejam doados e órgãos principalmente cérebro para estudos do seu terrível sofrimento para que ajudem quem passa por esta doença. Podemos ajudar? em preces que um dia ele volte possa ser um celebre estudioso nesta questão. Seu Nome Claudio Leal Neto. São Paulo-Capital

De: Victor Hugo
Para: ELCY
E-mail: vhgdebem@gmail.com
Data: 01/04/16 12:51

Boa tarde! Que a Paz de Jesus te envolva hoje e sempre!
Sem dúvida! Provavelmente seu filho foi um grande entusiasta do referido político na última reencarnação, quem sabe até alguém próximo dele, e traz nos arquivos do inconsciente as vivências intensas que irrompem quando ele assiste ou lê algo relativo a Vargas. É muito comum até pessoas, quando ouvem certos hinos estrangeiros pela primeira vez, se emocionarem como se aqueli fizesse, ou tivesse feito parte de algo muito importante que a própria pessoa não sabe explicar. Tenha certeza que seu filho presenciou Vargas.
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